Análise da Abit envolve pressões derivadas de tensões geopolíticas, Copa de Futebol, feriados prolongados, eleições e aumento das importações

A indústria têxtil e de confecção brasileira entra em 2026 sob o signo da prudência. Apesar do esperado crescimento em 2025, cujos números ainda não estão fechados, o presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Fernando Pimentel, alerta que a projeção para 2026 será afetado por uma combinação complexa de pressões externas e um calendário doméstico desafiador.
“Chegamos a 2026 com ritmo menor que começamos 2025”, concluiu o dirigente em coletiva de imprensa. A própria sondagem da associação com as empresas do setor acendeu o alerta com a confiança dos empresários em relação ao futuro encostando em 50%. Diante do cenário desenhado, a expectativa é o setor crescer menos que o PIB esperado para 2026 (1,8% conforme previsão do Relatório Focus), disse Pimentel. Projeção da Abit aponta para avanço de 1,1% para o setor em 2026.
DESAFIOS
No campo macroeconômico, o setor monitora as tensões geopolíticas e a volatilidade tarifária, que ameaçam desestabilizar as cadeias produtivas globais e o poder de compra do consumidor. Somado à instabilidade internacional, o cenário de eleições presidenciais no Brasil tende a gerar incertezas que podem resultar em adiamento de investimentos de longo prazo por parte das empresas.
A Copa do Mundo de Futebol é vista com reserva pelo setor. Embora os jogos sejam à noite, o progresso da seleção brasileira na disputa pode levar ao fechamento das lojas durante as partidas e à dispersão do foco do consumidor. Impactando negativamente, dessa forma, as vendas de moda no varejo e, por conseguinte, da indústria.
Além disso, o calendário de 10 feriados prolongados em 2026 pode desviar o orçamento das famílias para o setor de serviços e turismo, em detrimento do consumo de vestuário, aponta o dirigente.
Outro ponto crítico é o avanço das importações de vestuário. Sobre 2024, a importação de roupas cresceu 13% em 2025, de acordo com levantamento da Abit. De outro lado, ressalta Pimentel, dificilmente o varejo de moda conseguirá reajustar preços em 2026 com a mesma intensidade que fez em 2025.
Projeção da Abit para 2026 também avalia que haverá desaceleração das empresas em novos investimentos produtivos. Especialmente na compra de máquinas, a maior parte das quais importada, da China e da Europa.
PRESENÇA INTERNACIONAL
Parte do plano de internacionalização da moda brasileira, a Abit junto com a Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) participará da Première Vision Paris, de 3 a 5 de fevereiro. Serão 15 empresas brasileiras compondo o estande, a maioria de estúdios de estamparia, sob o tema ‘Brasil: from farm to fashion’.
A participação tem organização da ApexBrasil, por intermédio dos programas Texbrasil e Cotton Brazil (que envolve a Abrapa e a Associação Nacional doa Exportadores de Algodão. “O objetivo é fortalecer o vínculo entre a produção de algodão e a indústria têxtil nacional”, afirma a Abit.




