Em 2025, auditorias da Associação Brasileira do Varejo Têxtil monitoraram 3.557 fornecedores da cadeia produtiva do setor

O sistema de auditoria da Associação Brasileira do Varejo Têxtil certificou 3.557 empresas fornecedoras da cadeia produtiva da moda no país em 2025. Ao longo de 2025, o relatório da Abvtex aponta que o programa monitorou 404.215 trabalhadores. Embora o programa tenha atingido um recorde de trabalhadores monitorados, a rede de fornecedores aprovados sofreu retração de 5% no último ciclo, caindo de 3.741 empresas aprovadas em 2024. O encolhimento da base produtiva certificada sugere, porém, mudança de perfil na contratação.
Aparentemente, as varejistas de moda que operam no país estão concentrando suas ordens de compra em plantas industriais maiores, com escala para absorver os custos de compliance, cumprir exigências formais de governança trabalhista, controle documental e rastreabilidade produtiva. Em um ano, a média de funcionários por unidade auditada saltou de 102 para 113.
Embora o número de empresas auditadas pareça pequeno, frente ao tamanho total da cadeia têxtil do país, ele representa na prática o núcleo produtivo que abastece o grande varejo organizado. É nesse grupo que estão fornecedores diretos e parte dos subcontratados que produzem para redes como Lojas Renner, C&A, Riachuelo, Azzas 2154, Carrefour, Pernambucanas, Veste S.A. e Grupo Malwee.
Fora desse radar permanece uma base muito mais ampla de pequenas oficinas e confecções independentes que compõem a estrutura produtiva pulverizada do setor.
Ao todo, a Abvtex reúne 101 associados, que operaram 10,6 mil pontos de venda em 2025. O número equivale a algo em torno de 5,6% dos 191,2 mil pontos especializados em vestuário, cama, mesa, banho e calçados em funcionamento no país no ano passado.
Contudo, os associados da Abvtex empregavam 43% da força de trabalho do setor. São 384,2 mil funcionários trabalhando nesses varejistas, ante os 910,8 mil empregados do comércio de moda em geral no Brasil.
FORTE CONCENTRAÇÃO
A distribuição geográfica dos fornecedores certificados pela Abvtex também revela um ponto sensível da cadeia produtiva. Do total de empresas auditadas, 57% estão localizados na região sul, enquanto o sudeste concentra 33% da base produtiva monitorada.
O nordeste responde por apenas 6% das empresas certificadas pelo programa.
INCENTIVO À FORMALIZAÇÃO
Para ampliar a base de fornecedores capazes de atender às exigências do programa, a Abvtex criou em 2025 mais um nível inicial de certificação voltado a pequenas empresas.
O chamado Selo Cobre registrou a adesão de 16 novos negócios em 2025.
A maior base certificada está concentrada no segundo nível, no Selo Prata, com 1.524 fornecedores aprovados. Selo Ouro são 1.303 fornecedores e Selo Prata, 714.
VERTENTE FINANCEIRA
Outra novidade abordada no relatório de 2025 da Abvtex é a consolidação da Vertente Financeira como o terceiro pilar do programa, ao lado das frentes Social e Ambiental. A auditoria passa a monitorar a saúde fiscal e a capacidade de honrar compromissos das empresas fornecedoras, entre contratados e subcontratados.
O programa ganha, assim, uma camada adicional como um “rating” de risco de crédito ao monitorar a capacidade de sobrevivência financeira do fornecedor. Conforme o relatório, o novo módulo do sistema processa 250 CNPJs por semana. Avalia a capacidade produtiva dos fornecedores, se tem condições de honrar compromissos básicos, como salários e encargos, sem o risco de uma quebra repentina.



