Programa do polo de moda destina 10 toneladas de resíduos por mês, volume considerado uma fração ainda pequena

Criado em outubro de 2020, o programa Bom Retiro Recicla encerrou 2025 com saldo de cerca de 10 toneladas de resíduos têxteis coletadas por mês. Do programa mantido integralmente pela Abiv, associação do polo de moda, participam 23 confecções. Apesar do avanço, os números ainda representam apenas uma fração do resíduo gerado pelo polo. Para 2026, a meta é dobrar a capacidade de coleta, afirma a entidade ao GBLjeans.
No primeiro ano completo da iniciativa em 2021, o programa do Bom Retiro coletou 75,6 toneladas de resíduos têxteis. Em 2025, o volume saltou para 129 toneladas.
Diferentemente de outros projetos de melhoria do impacto ambiental, o Bom Retiro Recicla não conta com subsídio público. É 100% financiado pela associação. Desde que associadas, as confecções participantes não pagam para descartar seus resíduos têxteis, informa a entidade. A única receita gerada corresponde à venda do material para a desfibradora responsável pela reciclagem, que ajuda a cobrir parte dos custos operacionais, ressalta a Abiv.
Para empresas classificadas como grandes geradoras de resíduos, a participação no programa representa economia indireta, uma vez que elimina a necessidade de contratar serviços privados de coleta, ressalta a entidade.
GARGALOS
O principal entrave para a expansão do programa está no baixo valor econômico do resíduo têxtil, motivo que reduz o interesse de recicladoras, aponta a Abiv. Outro desafio é a adesão das confecções, dado que o programa exige ajustes operacionais.
Os resíduos têxteis coletados devem ser acondicionados em sacos de plástico transparente, cujo peso não pode ultrapassar 15 quilos cada um. São aceitos até 10 sacos por associado. O programa aceita exclusivamente resíduos têxteis, com tolerância de até 10% de papel ou plástico no volume total. Além disso, como muitas confecções são pequenas geradoras, as empresas optam por descartar os resíduos pela coleta da prefeitura e, por isso, não se interessam em participar do programa.
DESTINO
Conforme a Abiv, por enquanto o material recolhido não retorna à cadeia produtiva da moda. O destino principal dos resíduos é o desfibramento com o material encaminhado para reaproveitamento pelo setor automotivo, como enchimento e isolamento acústico, e para produção de telhas de fibrocimento. Um volume menor acaba direcionado para universidades, cursos de moda e projetos sociais no âmbito de iniciativas de upcycle e artesanato.
PRÓXIMOS PASSOS
A Abiv tem por prioridade estruturar e consolidar a operação, assim garantindo rastreabilidade, destinação adequada e viabilidade técnica do processo, afirma a entidade. A criação de um selo ou reconhecimento institucional para as empresas participantes seria um passo a considerar à medida que o programa evolua e ganhe escala.
No médio prazo, de acordo com a entidade, o objetivo é fechar ciclos mais próximos da logística reversa, permitindo que os resíduos retornem às confecções em forma de novos produtos ou outras soluções de reciclagem.
foto: divulgação (Bruno Chicaroni)



