Estudo do Iemi com fornecedores de grandes redes mostra controle de resíduos; no pós-consumo, programa da Humana recolhe 829 toneladas

Do chão de fábrica ao pós-consumo, dados da consultoria Iemi e do programa Repense Reuse, da Humana Brasil, mostram recortes de como a cadeia da moda brasileira trata os resíduos têxteis, dentro e fora das indústrias. Levantamento do Iemi com 280 confecções fornecedoras de vestuário para grandes redes varejistas indica que, em média, 7,2% do tecido utilizado na produção vira retalho. Essa média revela que o desperdício ainda é parte relevante do custo industrial das confecções no Brasil.
Para o estudo, a consultoria ouviu fornecedores que atuam sob maior pressão contratual, com auditorias frequentes e conformidade a práticas legais.
Conforme o estudo observa, 35% das empresas consultadas operam com índices de perda abaixo de 5%, considerados de excelência. Em outros 19% das confecções do grupo, porém, o desperdício em tecidos ultrapassa os 10%.
A diferença entre perdas de até 5% e acima de 10% indica que há margem para ganhos de produtividade e eficiência operacional da cadeia, seja por melhor modelagem, planejamento de corte ou reaproveitamento interno de retalhos.
O estudo indica também que as empresas mantêm bom nível de controle sobre a destinação de resíduos industriais. Entre as empresas ouvidas, 99% declaram encaminhamento adequado para retalhos e sobras de aviamentos. O índice é de 85% para papéis, 76% para plásticos e 73% para lâmpadas e sucatas metálicas.
Além disso, metas associadas à transparência e rastreabilidade aparecem entre os objetivos dos programas de sustentabilidade (26%), ao lado de redução de emissões (24%) e práticas de economia circular como upcycling, que transformam os resíduos em novos materiais, e logística reversa (22%).Políticas de diversidade e inclusão estão presentes em 79% das confecções pesquisadas.
PÓS-CONSUMO
Se na indústria o foco está na eficiência operacional, no consumo o desafio é o destino das peças descartadas, um dos principais gargalos da cadeia. O programa Repense Reuse, da Humana Brasil, divulgou os resultados em 2025, com coleta presente em três estados do nordeste e no Distrito Federal. Ao todo, a iniciativa recolheu 829 toneladas de resíduos, entre roupas, calçados, acessórios têxteis e de couro em 2025.
A Bahia concentrou 546 toneladas coletadas. Pernambuco registrou 107 toneladas entre maio e dezembro. Sergipe somou 77 toneladas, e o Distrito Federal, 97 toneladas.
A operação funciona com pontos de entrega voluntária, instalados em áreas de grande circulação das cidades. Conforme a Humana, o material arrecadado passa por triagem. Peças em bom estado seguem para revenda em lojas de segunda mão operadas pela Humana. Outra parte é destinada ao reaproveitamento criativo.
COLETA

Na Bahia, o Repense Reuse conta com 291 pontos de coleta, distribuídos entre as cidades de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas.
Em Pernambuco, na Região Metropolitana do Recife, são 93 coletores instalados. Dentro da capital, o programa mantém um Centro de Triagem, responsável por fazer a separação técnicas das peças recolhidas, para revenda, reciclagem ou coprocessamento. “Além do impacto ambiental, o centro gera empregos formais, promove capacitação e fortalece a inclusão social. Para 2026, está prevista a inauguração de uma loja second hand da Humana Brasil no estado (Pernambuco)”, informa comunicado do programa.
Já em Aracaju, capital de Sergipe, o programa mantém 65 pontos de entrega voluntária, que arrecadaram 77 toneladas de têxteis em 2025. Depois de recolhidos, os materiais de Aracaju vão para Lauro de Freitas, onde passam por um processo de triagem e classificação.
Os 75 pontos de arrecadação espalhados por Brasília coletaram 97.002 toneladas de resíduos têxteis.
De acordo com o comunicado da Humana, o programa Repense Reuse movimenta uma cadeia que envolve logística, comércio, microempreendedorismo e financiamento de projetos sociais.
A revenda do material em bom estado está a cargo das Lojas Humana. Em Salvador, são 4 lojas localizadas nos bairros de Itapuã, Piedade, Uruguai e Cajazeiras. Funcionam com venda de varejo e algumas também no modelo de atacado, atendendo revendedores locais. “Toda a renda obtida com a venda das peças é direcionada para projetos sociais, ampliando o impacto positivo do ciclo de reaproveitamento”, afirma o comunicado.
fotos: divulgação (ponto de entrega voluntária do programa Repense Reuse)



