Expansão mais acelerada tem por base o lucro 30% maior em 2025 e a redução da dívida com geração de caixa livre

A despeito do resultado do quarto trimestre considerado abaixo do esperado, a C&A Moda considerou 2025 como um “ano bom”. O lucro líquido anual registrou alta de quase 30% sobre 2024, para atingir R$587,1 milhões, apontado como um recorde histórico pela varejista de moda. Mesmo desconsiderando receitas não recorrentes, o lucro ajustado permaneceu em patamar histórico assinalando ganho líquido de R$471 milhões em 2025.
Também reduziu a dívida, chegando ao final de 2025 com geração de caixa livre de R$83,7 milhões. Devido aos bons resultados operacionais, a C&A informou aos investidores na teleconferência de desempenho que pretende acelerar a expansão da rede de lojas. Para 2026, prevê a abertura de 10 a 15 lojas. O alvo prioritário são cidades nas quais a marca não está presente, mas cujo potencial de vendas justificaria o investimento.
Em 2025, a varejista projetou de 5 a 10 lojas a mais. Encerrou o ano com 340 operações, 8 a mais do que tinha em 2024. Contudo, abriu 10 unidades ao longo de 2025, sendo 7 delas no último trimestre. O saldo indica, portanto, o fechamento de 2 unidades no ano. A maior parte do investimento anual de R$546 milhões foi direcionada ao parque de lojas.
MUDANÇA DE MIX
Conforme análise da C&A, o quarto trimestre ficou abaixo do esperado, afetado pelo que chama de desequilíbrio da pirâmide de produtos. Nos últimos trimestres, a varejista ampliou o sortimento de produtos mais caros, no topo da pirâmide. Mas, foi surpreendida por uma conjunção de fatores no fim do ano.
Apontou as temperaturas atípicas registradas no trimestre, que afetaram as vendas do alto verão; o ambiente promocional intenso; e aumento da demanda por produtos de menor preço. “Isso elevou a ruptura dos básicos”, disse a companhia aos investidores. Acrescentou, contudo, que rapidamente providenciou junto à cadeia de produção a recomposição da base da pirâmide logo após o Natal, processo de normalização que deverá concluir até o final do primeiro trimestre de 2026.
Conforme a varejista, foram feitas promoções para girar o topo da pirâmide nesse período, mas com preservação da margem de vestuário, situada em 56,4% em 2025.
ALTA NA RECEITA ANUAL
De acordo com o balanço financeiro, a receita líquida da companhia aumentou 4,5% no ano, registrando R$7,98 bilhões. Teve impulso pelas vendas de vestuário que subiram 9,2% em 2025, mesmo com os problemas enfrentados no quarto trimestre. A receita líquida de vestuário anotou R$7,05 bilhões.
Em função do encerramento das vendas de celulares, substituídos por produtos de beleza, a receita do segmento de mercadorias que não vestuário caiu 16% para R$584,1 milhões no ano. Da mesma forma que caiu a receita derivada de serviços financeiros, em razão da rígida política de concessão de crédito pelo C&A Pay e sem a influência da parceria com o Bradescard.
QUEDA NA RECEITA DO 4º TRIMESTRE
De outubro a dezembro de 2025, a receita líquida consolidada da C&A caiu 3,2% em relação a igual período de 2024. Registrou R$2,47 bilhões.
Vestuário contribuiu com R$2,25 bilhões, discreto aumento de 0,6%.
O lucro líquido do trimestre avançou 22,9% para R$313,2 milhões.
Dos R$546 milhões investidos em 2025, o quarto trimestre absorveu R$247,7 milhões.



