Balanço da varejista, que realizou IPO em outubro, sofreu com queda de vendas e lojas fechadas depois de 20 de março.
O avanço da covid-19 no Brasil inverteu as projeções otimistas da C&A para o ano. “O primeiro trimestre parece longe do que estamos vivendo agora”, constatou Paulo Correa, presidente da varejista em teleconferência com analistas de mercado. Segundo o executivo, as vendas foram bem até 15 de março. Mas começaram a ser afetadas com a queda de movimento, motivada pela pandemia, até o fechamento de todas as lojas a partir de 21 de março. O cenário resultou em prejuízo líquido de R$ 55,4 milhões no primeiro trimestre do ano.
O resultado reverteu o lucro líquido anotado no primeiro trimestre de 2019, de R$ 751,4 milhões (porque absorveu mudanças fiscais que geraram crédito). A receita líquida total da companhia alcançou R$ 976,9 milhões, queda de 6,1% sobre R$ 1,04 bilhão faturados de janeiro a março de 2019. Para enfrentar o novo cenário, assim como outros varejistas e empresas brasileiras, a C&A acelerou projetos envolvendo o comércio eletrônico.
De acordo com Correa, outra providência foi renegociar com todos os fornecedores de produtos e serviços. O objetivo foi postegar pagamentos ou rever valores. Com as lojas físicas fechadas, o desafio foi atrair para o site da empresa 1 milhão de pessoas que entravam nas lojas por dia, disse o executivo. Ele contou que, até março, as vendas online correspondiam a 3% da receita. Atualmente, sustenta 55% do faturamento da companhia, informou.
INVESTIMENTO E NOVOS CANAIS
Além de incrementar o site, ampliando as parcerias no marketplace, a C&A acrescentou categorias de produtos, como cosméticos. Implantou entrega no modelo drive-thru para o Dia das Mães. O sistema funcionou e será mantido “enquanto for conveniente para o cliente”, acrescentou Correa. A empresa adotou, ainda, vendas por Whatsapp e ampliou o sistema ship from store, de 80 para 109 lojas.
A maior parte da receita é sustentada pela venda de vestuário. O setor rendeu R$ 713,7 milhões no primeiro trimestre de 2020, queda de 7% sobre igual período do ano passado. A área chamada pela empresa de fashiontronics correspondeu a mais R$ 191,8 milhões. O valor representa redução de 10,2% na comparação com o mesmo trimestre de 2019.
A C&A fechou o primeiro trimestre com 286 lojas, uma a mais que em dezembro. De janeiro a março, encerrou a operação de duas lojas que funcionavam desde 2013 em São Paulo – uma no Shopping Villa-Lobos, na capital, e outra no Shopping Ribeirão Preto, no interior. E abriu uma unidade no Parque Shopping Bahia, em Lauro de Freitas, empreendimento inaugurado em 17 de março.
O investimento no período alcançou R$ 33,5 milhões. Representa recuo de 60% sobre os recursos aplicados no primeiro trimestre do ano passado.
Desde meados de abril, parte da rede de lojas voltou a funcionar. Não chegam a 50 pontos, a maioria na região sul.