Azzas 2154 reposiciona marca para disputar classes B e C a partir de 2026, com a holding encerrando 2025 com lucro de R$770 milhões

A Hering deve voltar às origens a partir de 2026. Após o período tentando elevar o patamar de posicionamento da marca, a estratégia agora é retomar o foco nos básicos e disputar novamente o consumidor de maior escala no varejo de vestuário brasileiro. Em teleconferência de resultados, Alexandre Birmam, CEO da holding controladora Azzas 2154, anunciou o lançamento emblemático, previsto para breve, de uma linha de camiseta da Hering vendida a R$49, em movimento voltado principalmente às classes B e C.
Desde outubro do ano passado, a Hering passa por um processo de reestruturação que incluiu a concentração da marca no complexo industrial de Blumenau (SC); blitz operacional na cadeia de sourcing e logística; reconstrução do mix de sortimento, expansão em categorias de produtos e ocasiões de uso; além de rebalanceamento de moda, estoquee e preço.
ANO DE ESTABILIZAÇÃO
Essa mudança de posicionamento ocorre na fase em que a Azzas 2154 busca acelerar o crescimento de suas 4 unidades de negócio após a fusão que uniu os portfólios da Arezzo&Co e do Grupo Soma, que completou um ano. Conforme a companhia, 2025 foi marcado por uma série de ajustes operacionais e comerciais. Mas que 2026 deverá ser um “ano de estabilização e simplificação”.
Começa o ano com uma robusta geração de caixa operacional livre de R$838 milhões. De acordo com a companhia, o volume representa quatro vezes mais o gerado no exercício fiscal anterior.
A companhia de calçados, bolsas e vestuário registrou lucro líquido de R$770,7 milhões em 2025, avanço de 30% em relação a 2024. De acordo com o relatório de desempenho, o resultado foi impulsionado principalmente por ganhos de eficiência operacional e pela captura inicial de sinergias entre as empresas.
No último trimestre de 2025, de vendas comprimidas e ajustes operacionais e comerciais, o lucro líquido acusou R$168 milhões, baixa de 0,5% sobre o quarto trimestre de 2024.
No consolidado do ano, a receita líquida da Azzas 2154 cresceu 2,2%, para R$11,8 bilhões. Novamente, o quarto trimestre afetou o resultado com queda de 4,1%, para registrar R$3,2 bilhões.
UNIDADES DE NEGÓCIOS
Em 2025, o desempenho da receita foi heterogêneo entre as verticais de negócios. Mais forte, a Fashion Women, que reúne FarmRio e Animale, entre outras, avançou em participação, sustentando 36% da receita bruta total da companhia. A receita aumentou 18,7% em 2025 e 11,6% no quarto trimestre.
Shoes & Bags é a segunda maior vertente, com participação que desceu para 30% em 2025, em função da queda geral de 3,6% da receita de 2025. No trimestre, o recuo foi de 5,8%.
Fashion Men, com Reserva, Oficina e Foxton, aumentou a receita de 2025 em 1,7% sobre 2024. Porém, caiu 3,2% no último trimestre. Com esse resultado, manteve a participação de 16% sobre o total.
Assim como calçados e bolsas, também os resultados da Hering foram negativos. No ano, a receita bruta declinou 4,9%, enquanto no trimestre os ajustes levaram à queda de 17,1%. Do total da receita bruta, Basics correspondeu a 18%.
CORTE DE INVESTIMENTOS
A Azzas 2154 cortou pela metade os investimentos do quarto trimestre, que somaram R$96 milhões. No ano, aplicou R$383,7 milhões, recuo de 30,8% na comparação com 2024. E, para 2026, esse deve ser o parâmetro, diz a companhia.
Não há previsão de expansão agressiva de lojas físicas. Uma das estratégias será continuar o retrofit de lojas das redes, como as da Animale.
Ao todo, entre as duas dezenas de marcas que controla, a holding operou em 2025 com 2.063 pontos de venda, dos quais 49 no exterior.
Shoes & Bags detém o maior número. São 844 unidades. Seguida pela unidade Basics, com a marca Hering, que ocupa 642 pontos de venda. Depois, aparecem as marcas de vestuário feminino, com 319 lojas. Vestuário masculino conta com 258 pontos.



