Em fevereiro, John John anunciou que colocará o pé no mercado de fora, assim como fizeram Colcci e Pit Bull, enquanto Hering e Renner preparam expansão
A despeito do intricado caminho ao exterior, mais marcas varejistas de moda brasileiras estão fazendo o percurso que leva ao mercado internacional. A maioria concentra esforços em disputar o comércio mais próximo, em países vizinhos, como Uruguai, Argentina, Bolívia, Paraguai. Outras dão passos mais ousados. Na semana passada, a John John anunciou que vai abrir uma loja nos Estados Unidos e para indicar a disposição estreou na New York Fashion Week, com o lançamento de inverno. Na semana anterior ao desfile, realizou um soft opening em ponto no Shopping Westfield Century City, em Los Angeles, onde pretende fixar endereço, mas ainda sem prazo definido para a abertura oficial, informou ao GBLjeans a marca controlada pela holding Restoque.
É a primeira loja fora do Brasil da John John, que teria também a Itália no radar. O desfile em Nova York marcou ainda o retorno de João Foltran à frente da direção criativa da marca de jeans que criou e vendeu à Restoque em 2011. De administração direta, a nova loja ocupará espaço de 370 metros quadrados, acrescentou a empresa.
Uma das empresas mais antigas com operações de vestuário fora do Brasil, a Hering deverá ganhar mais três pontos no Uruguai até o final de 2019. No início de fevereiro, em entrevista ao El País, a master franqueada da rede naquele país afirmou que pretende abrir dois estabelecimentos de rua em Montevidéu (um na Avenida 18 de Julio, área onde já funciona uma Renner, e outro na Avenida 8 de outubro), além de um ponto comercial em Maldonado, cidade vizinha à badalada Punta del Este.
Desde o final de 2017, a Hering conta com 20 lojas no exterior, 19 da Hering Store e uma Hering Kids, aberta em Asunción, no Paraguai. Fora do Brasil, a Cia Hering atua apenas com o modelo de franchising. Mantém dez franquias no Uruguai, em seis cidades. No Paraguai, são sete: quatro em Asunción, uma em Encarnación, um em Mariano e uma San Lorenzo. Na Bolívia, atua em três pontos, todos na capital Santa Cruz de la Sierra. No Brasil, ao final de setembro, a Hering Store operava com uma rede de 579 lojas, das quais 527 eram franquias, além das 20 no exterior.
No final de janeiro, a Lojas Renner anunciou que pretende estender seu plano de internacionalização para a Argentina. A meta é abrir três lojas da bandeira Renner no segundo semestre de 2019, na capital Buenos Aires e em Córdoba, a segunda cidade mais populosa do país e que faz divisa com o Rio Grande do Sul. A varejista de moda iniciou a expansão internacional pelo Uruguai, onde opera atualmente sete pontos de venda e com a expectativa de inaugurar o oitavo ainda neste primeiro semestre.
PAÍS ENSAIA CICLO DE INTERNACIONALIZAÇÃO
De acordo com balanço preliminar da ABF (Associação Brasileira de Franchising), em 2018, aumentou o número de redes nacionais com operação em outros países. São 145, das quais 35 correspondem a redes da área de moda, segmento com maior presença internacional. Desse total, apenas sete são de roupas, a maioria é formada por marcas de calçados. No ano passado, forte franqueador no país, o grupo catarinense AMC Têxtil ampliou a participação brasileira no exterior.
A primeira loja de varejo fora do Brasil foi da Colcci, aberta no final de setembro, em um shopping center de luxo (o Paseo la Galería) em Asunción, no Paraguai. Em dezembro, inaugurou o ponto da Tufi Duek, também na capital paraguaia, só que no Shopping Del Sol, o mais antigo da cidade.
Mais agressiva, a goiana Pit Bull incluiu em seu mapa de expansão também operações no exterior. Em maio do ano passado, a marca inaugurou a primeira franquia na cidade americana de Massachussets. Na Bolívia, mantém quatro lojas, das quais três abertas no regime de licenciamento e uma como franquia. No Paraguai, a marca conta com mais três pontos (dois licenciados e uma franquia).
Em novembro, a empresa abriu canal de ecommerce apenas para vender ao consumidor do mercado dos Estados Unidos. Para fazer frente a essa operação e para abastecer a franquia e as multimarcas, a Pit Bull inaugurou um centro de distribuição em Miami com investimento avaliado em R$ 2 milhões.
A ABF ainda lista a Lez a Lez, marca do grupo catarinense Lunelli, que por enquanto tem apenas uma franquia no Shopping Del Sol, em Asunción, no Paraguai. Completam a lista da ABF de marcas de roupas no exterior, a Lilica e Tigor, a Osklen e a Rosa Chá.
MODELO DE OPERAÇÃO E AUMENTO DE CONCORRÊNCIA
Até o momento, as marcas brasileiras que operam no exterior não adotaram o modelo de produção local. Todas abastecem as lojas do exterior a partir do Brasil. Além do desafio logístico, as operações internacionais representam desafio de gestão. José Galló, CEO da Lojas Renner, destacou em conferência com investidores que a empresa precisou investir em torno de R$ 20 milhões para dispor de um sistema integrado de gestão capaz, por exemplo, de trabalhar com diferentes moedas. “No Uruguai deu muito certo”, disse o executivo sobre a operação internacional, afirmando que o resultado ficou 50% acima do que a companhia previra.
Principalmente as marcas com planos para a América Latina enfrentarão aumento de concorrência na região e com marcas globais. Diante de mercados maduros, como os Estados Unidos cuja cultura de shopping centers chegou ao limite pressionada pelo comércio eletrônico, marcas globais têm se voltado para os mercados emergentes.
Com lojas em cinco países da região, somando 60 lojas, a H&M desembarcou no Uruguai no final de 2018, abrindo estabelecimento na mesma Avenida 18 de Julio, onde está a Renner. A maior parte da rede da marca na região fica no México, onde opera 45 pontos de vendas, tendo por ali estreado em 2013. No mundo, só a bandeira H&M reúne 4.433 lojas.
Outra marca que chegou ao Uruguai neste mês de fevereiro é a americana Guess, que escolheu o Punta Carretas Shopping, em Montevidéu, para abrir a primeira loja no país. Atualmente, a marca tem presença no Brasil, em joint venture com herdeiros da família Hering, com 16 lojas; no Chile, no Peru, no México, sempre em acordo com parceiros locais. De acordo com o balanço financeiro da empresa, em novembro, entre América Central e América do Sul, a marca contava com 103 lojas, das quais 65 próprias.