Para acompanhar a demanda, a indústria têxtil diversifica as opções em elastizados que, em muitos casos, já representam mais da metade da coleção e sustentam a maior fatia de tudo o que é vendido
A cada nova coleção, a indústria têxtil de denim e brim acrescenta mais artigos trazendo elastano na composição. A safra recente incorpora avanços técnicos de construção, como tecidos de largura maior que melhoram o aproveitamento no encaixe, e de acabamento, como os efeitos garantidos pelas resinas, insumos químicos que a indústria do jeans absorveu sem traço de decisão passageira.
Mesmo para as tecelagens, resinar o tecido com elastano significa investir em desenvolvimento. De modo geral, foi nas coleções do inverno 2008 que as empresas brasileiras lançaram os primeiros tecidos juntando elastano e resina, a maioria impulsionada especialmente pela tendência das superfícies brilhantes. Contudo, a versatilidade das resinas transparece em inúmeras outras funções – preservar cor de fundo, alterar o toque ou a cor de base.
Algumas tecelagens prometem incrementar a linha de elastano com acabamento resinado para o verão 2009. Nem todas, porém, retomarão a combinação no próximo verão. E outras tantas decidiram deixar o acabamento em resina como serviço a ser executado em lavanderia.
Lançamentos da Vicunha
Em dezembro, a Vicunha anunciou o lançamento da coleção de verão 2009 em que, pela primeira vez, tem opção de tecidos com elastano resinados. “Não lançamos antes porque estávamos estudando a melhor forma de aplicar resina sem comprometer a eslaticidade do tecido”, explica Renata Guarniero, gerente de marketing da empresa.
Dos 29 novos artigos à venda, apenas cinco não trazem elastano na composição. Entretanto, tecidos resinados com elastano aparecem apenas na linha de denim, para a qual foram desenvolvidos produtos na família Reflex. “São quatro artigos com acabamento em resina prata, sendo que um deles usa pigmento lilás sobre base azul resinada”, explica Patrícia Ribeiro, coordenadora de desenvolvimento de índigo.
Para a área de brins, a estratégia foi alterada. A única opção resinada em brim lançada na coleção de inverno 2008, não continua para o verão 2009. “Estamos avaliando lançar dois ou três produtos em brim resinado no primeiro semestre, com características e conceitos inovadores”, observa Alexandre Correa, coordenador de desenvolvimento de brins.
A pioneira Santista
O primeiro produto resinado com stretch da Santista foi lançado em 2006, como parte da família Glass, que abrange todas as opções da empresa com resina. “Até o lançamento, foram dois anos de intensa pesquisa. Entre 2006 e 2007, trabalhamos muito com esse tipo de acabamento, e durante esse tempo fomos os únicos”, informa Lílian Kurosaki, gerente de mercado denim da empresa.
Atualmente, dos 20 artigos em denim com resina vendidos pela empresa, 12 têm elastano na composição. Ao todo, a Santista tem em linha 80 artigos na divisão de denim. “Em número de artigos, o denim com stretch representa 55%, mas em termos de venda responde por 75% da produção”, sustenta a gerente, que vislumbra mais dois anos de venda intensa de denim com elastano no Brasil.
“A tendência para o inverno 2009 é o vintage voltando para o denim. E, com isso, voltam as lavagens mais agressivas, mais claras, mais puídas, que o elastano não permite fazer com a mesma intensidade aplicada sobre tecidos 100% algodão”, destaca a executiva. Segundo ela, na nova coleção, a ser anunciada em fevereiro, a empresa continua a investir no elastano e nos resinados. “Mas teremos acabamentos diferenciados e vamos apostar muito no vintage. Sobre as vantagens do resinado em fábrica, Maria José Orione, gerente de marketing da Santista, destaca a garantia de estabilidade e reprodutibilidade.
Nicoletti tem oito opções
Dos 17 artigos resinados que figuram na coleção à venda da Nicoletti Têxtil, oito têm elastano na composição. “Acreditamos que os resinados com elastano continuam para as próximas estações. Os lançamentos terão como características principais cores, toque mais flat e brilho”, descreve Romualdo Bassora, da área de desenvolvimento de produtos da empresa.
Segundo ele, a Nicoletti tem duas linhas em elastano: a Flat, com toque mais macio e a Colt de toque empapelado, mais seco e com tecidos de peso variando entre 10 e 12 oz. Bassora garante que os tecidos resinados da empresa, sem destacar os com elastano, aceitam lavagens sem restrições, permitindo aplicar efeitos como destroyer, stones, lixados, puídos, used, pastas corrosivas.
A nova máquina da Canatiba
Desde a coleção de inverno 2008, a Canatiba usa uma técnica considerada mais moderna de aplicar resina. “Somos os primeiros no Brasil a instalar a máquina que usa a técnica em foam (espuma, em inglês) de aplicação de resina, que forma uma camada mais agradável ao toque sobre a superfície do tecido, que dá aspecto visual enobrecido e corpo”, conta Marli Vernille Guth, gerente de marketing da tecelagem.
De acordo com ela, os resultados propiciados pelo equipamento são superiores à técnica na forma de estampa, considerada antiga. A tecelagem está trabalhando com elastano resinado no que chama de conceito comfort. “E não falo de composição, me refiro ao nível de alongamento”, destaca a gerente, sem informar o número de artigos com essas características na linha Megaflex.
Coleções em desenvolvimento
Na atual coleção, a Santana usa resina com elastano apenas na coleção da Loco Serious Denim. São quatro artigos da linha Colore, que têm 1% de elastano e acabamento em resina colorida (ocre, verde, azul marinho e violeta). Sobre a próxima, a ser divulgada no mês que vem, a empresa não informa detalhes.
A Horizonte Têxtil lançou na coleção de inverno 2008 o Lunik,com 1,55 metro de largura, com elastano e espatulagem de resina em cinco cores brilhantes (cobre; silver; glacial; ônix; ouro velho), que será mantido na coleção de verão 2009, com lançamento previsto para janeiro.
“Nesta próxima coleção, estamos trazendo muitos elastizados com cross ring, com brilho, em outras tonalidades, mas não aplicamos resina em nenhum deles”, adianta Ariane Lopes, gerente de produto da Cedro. Para o inverno 2008, a tecelagem lançou o Lana na linha de denim, com 2% de elastano sobre o qual foi aplicada resina marrom, que não estará na coleção de verão 2009; e o Quartzo resinado em prata metalizado, que vai continuar. De acordo com Ariane, o catálogo de produtos do verão 2009 terá 60% dos artigos com elastano.
Outra estratégia
Empresas como a Covolan e a Santanense optaram por não trabalhar resina sobre tecidos com elastano. “Nossos equipamentos são destinados a uma produção muito grande, então, direcionamos esse tipo de trabalho (aplicação de resina) para as lavanderias”, explicou Eleonora França, gerente de marketing da Santanense, à repórter Priscila Franco.
A Covolan também não tem planos de usar resina nos artigos elastizados, pelo menos, em curto prazo. “Vamos auxiliar as lavanderias a aplicar resina sobre nossos tecidos”, afirma Telma Mendonça, gerente de marketing da empresa, informando que para isso contratou um técnico químico que passará a visitar as beneficiadoras a partir de janeiro.
fotos: acervo GBLjeans
Mas ela ressalta as novidades em linha, especialmente a família de sobretintos com elastano e resina. “Temos uma gama grande de artigos que, com a aplicação de efeitos depois de lavados, essas duas características juntas proporcionam um resultado maravilhoso”, garante Marli.