Valentino morre, Hermès anuncia sucessora no masculino e Alaïa vive transição criativa com saída de Pieter Mulier para a Versace

O início de 2026 marca um ponto de inflexão no comando criativo de algumas das casas de moda mais simbólicas do luxo global. A saída da estilista responsável pelo masculino da Hermès, a morte de Valentino Garavani e a transição na Alaïa não são episódios isolados. Trocas no comando criativo das grandes maisons ocorrem em um cenário financeiro desafiador para o setor de luxo, com retração de demanda, e expõem o dilema de como preservar valor e legado de marca com governança criativa.
Na Alaïa, pertencente ao grupo Richemont, o cenário de transição está em aberto. Pieter Mulier, que conduziu a direção criativa da marca nos últimos 5 anos, encerra o ciclo com uma última coleção a ser apresentada em março. A expectativa do mercado é que Pieter Mulier seja o principal candidato a assumir a direção criativa da Versace, que desde dezembro está sem nome oficial após a saída de Dario Vitale. A Versace opera com sua equipe interna enquanto o grupo Prada define a sucessão.
Na Hermès Homme, a sucessão de Véronique Nichanian foi planejada. Ela esteve à frente do estilo masculino da marca, uma das casas de moda mais sólidas financeiramente, há quase 4 décadas. Em outubro, a Hermès já anunciara que a substitura seria Grace Wales Bonner, com a primeira coleção prevista para janeiro de 2027. A escolha reforça a lógica da maison, que prioriza continuidade estética e consistência em uma das linhas mais lucrativas do grupo.
FIM DE ERA NA ALTA-COSTURA
No caso da grife italiana de moda de luxo, a morte de Valentino Garavani aos 93 anos no início de 2026 encerra simbolicamente uma era. Ele era o último dos grandes fundadores ainda vivos da alta-costura. Criativamente, a marca já vinha operando sob nova liderança desde 2024, com Alessandro Michele como o guardião do legado, como apresentado no desfile mais recente.
Em um mercado onde investidores monitoram não apenas coleções, a sucessão deixa de ser tema interno. Mesmo sem seus fundadores, as marcas precisam continuar crescendo, sustentadas por governança criativa, sucessão planejada e gestão de legado.
foto: loja da Alaïa no Kwait



