IBGE mostra pequeno avanço no mês, enquanto enquete da ABVtex aponta fevereiro também positivo para o grande varejo
Se 2018 terminou com vendas em baixa para o comércio de moda, 2019 começou com discreta melhora, mostra a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada na manhã desta quinta-feira, 14 de março, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O estudo assinala pequeno aumento de 0,1% no volume de vendas das lojas de vestuário, calçados e tecidos, em comparação com um dezembro em queda de 3,8%. A receita nominal repetiu a do mês anterior, que registrara recuo de 3,2%.
O comércio brasileiro com um todo cresceu 0,4% em volume de vendas e 0,8% em receita nominal sobre dezembro. Já a comparação com janeiro de 2018 mostra expansão de 1,9% em volume e de 4,8% em receita. A mesma análise é, entretanto, negativa para o segmento de moda, informa a pesquisa. Segundo o levantamento, a atividade foi, junto com livros, jornais e revista, as duas únicas áreas a enfrentar queda de vendas. Houve redução de 1,2% em volume e de 0,6% em receita no segmento de moda.
Entre os 12 estados que são tratados como destaque na pesquisa mensal de comércio, o desempenho não é uniforme no confronto com janeiro de 2018. Na área de moda o Espírito Santo mantém o melhor resultado do grupo destacado, com crescimento de 19,3% em volume de vendas e 19,1% em receita, em relação a igual mês do ano passado. O varejo de moda também expandiu em Goiás no mesmo período de comparação, com acréscimo acima de 10%. Aumentou o volume de vendas em 13,2% e a receita nominal, em 12,6%.
Em situação oposta, o varejo de moda de Minas Gerais, Paraná e Distrito Federal apresentaram o pior desempenho. Mas, o comércio mineiro foi o que mais caiu, com redução de 7,9% em volume de vendas e 6,9% em receita nominal.
ENQUETE DA ABVTEX
Para o grande varejo de moda, porém, os resultados fogem ao padrão da média calculada pelo IBGE. Segundo a ABVtex (Associação Brasileira do Vestuário Têxtil), a comparação com o ano anterior mostra crescimento de vendas tanto em janeiro quanto em fevereiro. A enquete mensal da entidade informa que dos associados que responderam, 82% afirmaram que venderam mais em fevereiro que em igual mês de 2018.
Mês de troca de coleção, com a transição para o inverno, março começou chuvoso. “As chuvas fortes que estão em todo o país atrapalham as vendas, porque nesses momentos as pessoas não saem de casa nem vão ao shopping”, observa Edmundo Lima, diretor executivo da ABVtex. Mas ele considera ser possível recuperar os volumes até o final do mês.
As previsões climáticas preveem ondas de frio a partir de abril, que favoreceriam o giro das coleções de inverno. “Principalmente se vierem nas duas semanas que antecedem o Dia das Mães”, acrescenta o executivo, já que a data é uma das mais importantes do semestre para o varejo de moda. O primeiro semestre ainda conta com o Dia dos Namorados.
O Dia do Consumidor comemorado este ano, amanhã, 15 de março, começa a ganhar relevância para o varejo de moda, funcionando como termômetro de aceitação das novas coleções, explica Lima. Mesmo com o otimismo detectado entre as empresas do setor, a expectativa da entidade é conservadora, prevendo um primeiro semestre tendendo à estabilidade em relação a igual período de 2018.
A ABVtex representa 90 empresas, entre marcas e lojas de departamento, que juntas operam 8,7 mil lojas de varejo, uma fração pequena diante de 145 mil pontos de varejo de moda em funcionamento no país. “Mas representam 25% do faturamento”, ressalta o diretor da associação para dimensionar o peso dos resultados.