Apesar dos esforços dos fabricantes nacionais, o avanço no ano não chegou ao volume embarcado em 2011, o maior na década até agora.
Com o real desvalorizado frente ao dólar e o consumo interno sob pressão, os fabricantes de denim voltaram os olhos mais detidamente para o mercado externo. Depois da queda das vendas para outros países entre 2012 e 2014, as exportações brasileiras voltaram a subir em 2015, com acréscimo de 36% sobre o ano anterior, alcançando US$ 51,75 milhões. Em 2016, o ritmo de incremento desacelerou. O país avançou 12,17% com exportações avaliadas em US$ 58,04 milhões, conforme dados do serviço de comércio exterior do ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.
O valor está bem abaixo dos US$ 87,11 milhões exportados em 2011, o maior volume registrado até agora na década. Desde, então, a disposição de observar o mercado externo pelas empresas nacionais vem amadurecendo, ainda que a participação das exportações continue pequena em relação ao faturamento global. Mais empresas têm participado de feiras internacionais, com incursões por salões de negócios na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia.
Como países da América Latina representam o principal destino das vendas brasileiras, pela proximidade geográfica e de idioma, a presença dos fabricantes de denim na Colombiatex, o salão de negócios da indústria têxtil realizado uma vez por ano, em janeiro, tem aumentado. A Vicunha, que hoje conta com fábrica no Equador e na Argentina, e participa do evento desde 2001, não revela o volume de negócios alavancado pela feira. De modo geral, embarca o equivalente a 20% da produção para outros países, declara Anna Maria Kuntz, diretora executiva, comercial e de marketing da Vicunha.
Também a Santista participou da Colombiatex, uma que a América Latina forma o principal destino das vendas externas da companhia. A fatia de exportação na Santista subiu para 15% do faturamento total, em 2016, em relação ao ano anterior, informa a empresa. Para 2017, a expectativa é de crescimento de 5% nas vendas. Os três principais países compradores do denim da empresa são Colômbia, Bolívia e Peru.
Na Covolan que participa do evento desde 2012, as exportações responderam por 3% do faturamento em 2016, informa Allan dos Anjos, do departamento de exportação do fabricante, fruto do investimento para posicionar a companhia no mercado internacional. A expectativa é aumentar as vendas externas em 15% ao longo de 2017, de modo a ampliar essa fatia da receita, explica dos Anjos. Os principais destinos compradores do denim da empresa são Paraguai, Peru, Equador e Argentina, aponta o executivo.
A Capricórnio participa da Colombiatex para prospecção, interessada “em analisar oportunidades no mercado externo”, sem indicar a participação das exportações sobre faturamento ou produção. Como outras empresas brasileiras que participaram da feira na Colômbia na edição realizada em janeiro, mostrou os lançamentos do verão 2018, apresentados em novembro no Brasil.
PAÍSES COMPRADORES
Em 2016, os três principais compradores do denim brasileiro foram: Argentina, com a maior fatia das compras (US$ 14,59 milhões); em segundo lugar, Colômbia (US$ 5,82 milhões); e Paraguai (US$ 5,46 milhões). Como um todo, a América Latina responde por US$ 49,36 milhões, em torno de 85% do valor dos embarques brasileiros em 2016, mostram os dados do Mdic. Os 15% restantes estão pulverizados.
BALANÇA EM JANEIRO
O comércio internacional deu uma freada em janeiro na área de denim. As exportações que alcançaram R$ 4,23 milhões em dezembro (13,84% a mais que em novembro) despencaram no primeiro mês de 2017. Desceram para US$ 1,86 milhão, em janeiro, com queda de 55,89%. Sobre janeiro de 2015, o recuo foi menor, com declínio de 7,87%.
As importações oficiais de denim continuaram residuais. Foram internados US$ 612,76 mil em tecido em dezembro e mais US$ 610,67 mil, em janeiro de 2017. Em 2016 inteiro, o Brasil importou US$ 5,66 milhões, nem de longe próximo dos US$ 46,63 milhões comprados em 2010. Do total importado em 2016, US$ 3,04 milhões correspondem à importação do Equador e outros US$ 1,61 milhão, da China.
Com essa drástica redução do volume importado, a balança comercial de denim continua superavitária. Mas, com a desidratação de janeiro, o saldo ficou em US$1,25 milhão, quase 60% a menos que em dezembro, quando fechou o mês com US$ 3,1 milhões de saldo.
Em 2016, o saldo da balança comercial foi positivo em US$ 52,37 milhões.