Em sinal de retomada, confecções reajustam e interrompem dois meses de queda, já as têxteis seguem, no entanto, outra direção.

Com sinais de retomada da economia, a indústria brasileira reajusta fortemente os preços para o atacado em julho. Assim, a inflação da indústria atinge 3,22%, a maior variação positiva desde janeiro de 2014, afirma o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas o setor de têxteis e vestuário não acompanhou esse desempenho. A indústria de roupas aumentou a tabela em
0,22%, interrompendo dois meses de queda. Os fabricantes de itens têxteis seguiram, no entanto, na direção oposta. Seguraram os preços de atacado pelo segundo mês seguido, recuando 0,45%.Os dados constam da pesquisa que calcula o IPP (Índice de Preços ao Produtor). Os resultados do estudo foram divulgados hoje, 02 de setembro.
Tradicionalmente, os preços de roupas no atacado caem entre junho e julho, com o varejo em liquidação de inverno. E sobem em agosto com a troca de coleções nas vitrines. A pandemia de covid-19 subverteu essa prática do mercado. E a indústria de roupas retomou atividades, antecipando aumento, ainda que contido em relação à média nacional. Com exceção de camisas femininas, os demais itens de vestuário ficaram mais caros em relação a junho, mostra a pesquisa do IBGE.
Na indústria têxtil, os preços de fábrica foram puxados para baixo por tecidos de algodão – planos e malhas. O recuo não foi maior porque os fios de algodão subiram, assim como os tecidos para cortinas. Entre as 24 atividades monitoradas pela pesquisa, têxtil foi uma das três que caíram. Recuou junto com calçados e couros (-0,94%) e máquinas e equipamentos (-0,10%).
As demais atividades tiveram variação positiva. Segundo o IBGE, a forte alta da inflação da indústria reflete elevação no custo dos alimentos e dos derivados de petróleo e biocombustíveis.
IPP ACUMULADO ATÉ JULHO
As variações do IPP de julho não afetaram a tendência dos preços da indústria, que seguem em alta no acumulado do ano. De janeiro a julho, o IPP geral acumula aumento de 7,28% sobre igual período do ano passado.
Apesar da queda em junho e julho, a indústria têxtil mantém alta acumulada no ano acima da média nacional. Os preços de fábrica cresceram 7,36% na comparação com janeiro a julho de 2019.
Até julho, o segmento de vestuário registra acumulado positivo. Ficou 0,96% acima dos sete primeiros meses do ano passado.