Reajuste dos preços de fábrica de artigos têxteis passou dos 20% e das roupas ficou pouco acima da inflação oficial do ano.

Ao longo de 2020, com ou sem covid-19, a indústria brasileira em geral aumentou os preços de fábrica todos os meses. Fechou o ano acumulando aumento de 19,04% sobre 2019. A inflação da indústria de artigos têxteis ficou acima desse patamar, com reajuste acumulado de
20,14%. É a maior taxa de toda a década, mostra a pesquisa mensal para cálculo do IPP (Índice de Preços ao Produtor), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).A inflação da indústria de roupas foi bem mais contida. Os preços de atacado aumentaram 4,57% em relação a 2019, expansão acima da inflação oficial brasileira de 2020, de 4,52%. A variação foi pressionada pelos tops de malha. Na têxtil, os aumentos vieram dos fios, dos tecidos de malha e dos tecidos atoalhados, informa a pesquisa do IBGE.
O IPP geral foi influenciado pelos alimentos que em 2020 acumularam aumento de 30,23%. A atividade que mais encareceu os preços de fábrica no ano foi a extrativista, com reajuste de 45,35%.
IPP DE DEZEMBRO
No ano, a indústria têxtil apresentou queda de preços apenas nos meses que refletiram a volta da produção – junho e julho. A partir de agosto, a curva foi de aceleração, para reduzir fortemente o ritmo em dezembro, com variação positiva de 0,80%.
A indústria de roupas registrou quatro variações negativas mensais em 2020. A primeira em fevereiro. Depois, afetada pelo varejo fechado por quase três meses, as confecções seguraram os repasses entre maio e junho. A partir de julho o movimento foi de recomposição até novembro, quando caiu 0,23%. O aumento de 1,81% em dezembro superou a redução do mês anterior com folga.
O IPP geral de dezembro foi de 0,41%, com aumentos em 17 das 24 atividades monitoradas pelo IBGE.
NAVEGUE PELOS GRÁFICOS
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