Queda de setembro interrompe cinco meses de alta; mas setor espera crescer em 2021.

Pela Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a inflação derrubou as vendas do varejo de moda em setembro. A redução no volume de vendas chegou a
1,1% menos que em agosto e obteve 1,7% menos receita sobre o mês anterior. A queda não ficou restrita às lojas de roupas, calçados e tecidos.O comércio brasileiro como um todo enfrentou o segundo mês de queda generalizada entre os segmentos acompanhados pela PMC. Exceção foram as lojas de artigos farmacêuticos, com variação positiva de 0,10%, e de livrarias e papelarias cujas vendas não variaram na comparação com agosto.
No geral, o comércio caiu 1,3% em volume e 0,2% em receita nominal em setembro.
Conforme o gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, a inflação foi o fator determinante para o pico negativo das vendas em setembro. “As mercadorias subiram de preço. Em combustíveis e lubrificantes, por exemplo, a receita foi -0,1%, totalmente estável, e o volume caiu 2,6%. O mesmo vale para Hiper e supermercados, que passa de 0,1% de receita para -1,5% em volume. Mas o mesmo fator não se aplica a Tecidos, vestuário e calçados que caiu tanto em volume, (-1,1%), quanto na receita com queda ainda maior (-1,7%), sinalizando deflação gerada pela redução da demanda”, disse Santos em comunicado do IBGE.
EXPECTATIVA POSITIVA DA ABVTEX

Enquete mensal realizada pela ABVTex mostra que 86% das redes varejistas associadas reportaram vendas maiores nas lojas físicas em outubro de 2021, em comparação asetembro. A entidade representa redes como C&A, Renner, Calvin Klein, Dafiti, Farm e Reserva, entre outras.
O último trimestre tem peso grande nas vendas do varejo de moda, especialmente no Natal. “A despeito das dificuldades enfrentadas no orçamento familiar, observamos que vestuário, calçados e acessórios estão na lista dos consumidores como itens necessários para o final de ano”, declarou Edmundo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil em comunicado à imprensa.
ACUMULADO DO ANO
De fato, a tendência parece ser de desempenho positivo no ano. Mesmo com a queda de setembro, as vendas do varejo de moda continuam a acumular alta em 2021 sobre 2020. Em nove meses, o volume subiu 24% e a receita, 28%, mostra a pesquisa do IBGE.
O comércio como um todo cresceu menos: 3,8% em volume e 16,3% em receita, sobre o período de janeiro a setembro de 2020.
12 MESES
No acumulado dos últimos 12 meses, o varejo de moda mantém variação positiva. Cresceu 11,8% em volume no período, enquanto a receita nominal aumentou 13,5%.
O desempenho do comércio como um todo foi bem mais contido em volume de vendas, registrando aumento de 3% nos últimos 12 meses. Já a receita subiu 15,1% no período.
DESEMPENHO NOS ESTADOS
Todos os 12 estados que são destaque da pesquisa do IBGE acumulam crescimento nas vendas do varejo de moda no acumulado até setembro. E também no acumulado dos últimos 12 meses.
DETALHES NOS GRÁFICOS
Clicando nas setas, confira a variação mensal das vendas do varejo de moda e geral. Também encontra a variação acumulada do varejo de moda entre janeiro e setembro do setor e por estado, além do acumulado nos últimos 12 meses.