Em setembro, segmento continuou a perder volume de vendas e receita bruta a taxas bem acima da média geral do comércio.
Pelo quarto mês consecutivo, de um ano difícil para o varejo brasileiro, as lojas de tecidos, vestuário e calçados perderam em volume de vendas e receita bruta, demonstrando ritmo diferente do exibido pelo comércio em geral. Embora com desaceleração sobre os indicadores de agosto, que só não foram piores que abril, e mesmo com os preços reajustados abaixo da média geral, na área de moda, o volume de vendas caiu 1,4% na passagem para setembro, com a receita retraindo em 1%.
A pesquisa mensal sobre comércio realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informa que as vendas do varejo em geral caíram 0,5% afetadas em setembro, sobretudo, pelos segmentos que dependem da oferta de crédito, que anda bem restrita, como automóveis, móveis e material de construção. A receita apontou, porém, para a estabilidade, com tímido aumento de 0,10% em relação ao mês anterior.
Sobre setembro de 2014, assim como ocorreu em agosto, todos os 12 estados monitorados pelo IBGE para a pesquisa apontaram queda no volume de vendas das lojas de tecidos, vestuário e calçados, com apenas dois deles apresentando taxa de apenas um dígito, como foi o caso de Ceará (-3%) e Santa Catarina (-3%). Em apenas quatro deles, o ritmo da queda perdeu a força, ainda que continuem a exibir perdas acima de 10% na comparação entre setembro de 2015 e setembro de 2014.
Mas, foi em receita que o quadro mais se agravou quando se avalia o período. Nenhum dos estados mostra aumento de receita. Pelo contrário, na maioria a queda se acentuou, com exceção mais uma vez de Santa Catarina, único estado onde o varejo de moda faturou 2,5% a mais no período comparado. Até o Ceará que em agosto apontou alta de 11% de faturamento, ficou estável em setembro.
Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul que já vinham enfrentando situação difícil desde julho, com queda persistente de volume de vendas e receita, conviveram mais uma vez com movimento fraco. É de ressaltar que as chuvas que castigaram grandes cidades gaúchas podem ter piorado o desempenho do estado nesse segmento. Pernambuco perdeu 22% em volume de vendas em relação a setembro de 2014, que refletiu em queda de 19,5% de receita no período. Bahia foi a que mais caiu em volume de vendas, com retração de 22,6%, e a única a ter perda de receita acima de 20% (caiu 21,7%). No Rio Grande do Sul, as vendas caíram 21,1%, em volume, e 18,3%, em receita.