Ainda que indicadores de dezembro sejam positivos, pesquisa do IBGE revela que o cenário se agravou para lojas de roupas, tecidos e calçados nos últimos três anos.
Depois de quatro anos em alta, de 2010 a 2013, piorou o cenário de consumo para o varejo brasileiro de roupas, tecidos e calçados. A queda que começou em 2014 (-1,1%), se acentuou em 2015 (-8,6%), para concluir 2016 com redução no volume de vendas de 10,9% sobre o ano anterior, revela a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O acumulado do ano foi divulgado junto com os indicadores de dezembro que mostram certa estabilidade sobre novembro, mas, não em relação a dezembro de 2015.
Se o comércio varejista em geral amargou um dezembro de queda no volume de vendas (-2,1%) e de receita nominal (-2,1%) em relação ao mês anterior, o segmento de vestuário, tecidos e calçados tendeu à estabilidade, uma das poucas atividades a registrar variação positiva no mês, ainda que discreta: de 0,1%, em volume de receitas, e de 0,2% em receita.
SOBRE DEZEMBRO 2015
Os indicadores de comparação com igual mês de 2015 revelam que o comércio de moda desempenho foi bem ruim em dezembro, com contração de 8,8% em volume de vendas e de 5,8% em receita nominal. Foi do que o varejo em geral que apresentou redução de 4,9% em vendas, mas, viu a receita crescer 2% em relação a dezembro de 2015, conforme a pesquisa do IBGE.
Os resultados negativos em volume de vendas e receita foram generalizados entre os 12 estados selecionados para o grupo de destaque da pesquisa. Escapou apenas o Paraná com alta de vendas de 3,3%. Como desde agosto, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo foram os três estados com maior queda no volume de vendas: -15%, -14,8% e -12,9%, respectivamente. O cenário muda pouco quando se analisa a performance de receita. Os mesmos três estados também registram as maiores reduções em faturamento, mudando um pouco a ordem: Rio de Janeiro (-12,6%), Minas Gerais (-12%) e Espírito Santo (-11,1%). Somente Paraná e Santa Catarina faturaram mais. A receita do Paraná subiu 6,6% em dezembro de 2016, comparado a dezembro de 2015, e a de Santa Catarina cresceu 2%.
ACUMULADO DO ANO
Com o mercado em contração de 10,9% em 2016, sobre 2015, o varejo de roupas, tecidos e calçados registrou a queda acumulada mais acentuada da sua série histórica, afirma o relatório do IBGE. “Mesmo com os preços de vestuário se posicionando abaixo do índice geral de inflação, a atividade apresenta desempenho acumulado inferior à média geral do comércio varejista, refletindo o quadro de perda de poder de compra das famílias”, destaca o IBGE.
Ao longo de 2016, nenhum dos 12 estados teve crescimento de vendas. O menor recuo foi de Santa Catarina (-0,9%) e o maio foi de Rio de Janeiro (-16,1%).
Da mesma forma, a receita nominal no ano caiu em dez estados, com recuo médio de 6,2%. Subiu a receita de Santa Catarina (5,1%) e do Ceará (0,8%). Novamente a maior queda foi registrada no Rio de Janeiro (-13,6%) e a menor no Paraná (-0,4%).
O sobe-e-desce de vendas e receita foi uma constante por todo o ano de 2016
Contudo, diferentemente do varejo em geral, a curva de desempenho das lojas de roupas, tecidos e calçados variou pouco entre volume e receita, mantendo o mesmo ritmo a partir de junho.