Com vacância zerada e IA operando vendas na madrugada, centro atacadista prevê crescimento de pelo menos 10% este ano

Tradicional polo atacadista do Brás, o Mega Polo Moda atravessa uma das transformações mais profundas desde a fundação. Após quase 4 décadas operando exclusivamente como centro físico de atacado de moda, o empreendimento encerrou 2025 com crescimento estimado de 15% no faturamento, vacância praticamente zerada e um novo posicionamento estratégico que combina presença física, ferramentas digitais e maior diversidade de público e produtos.
Apesar de continuar a operar como shopping de moda atacadista, o Mega Polo incorporou uma configuração comercial mais eclética a partir do final de 2024. Foi quando negociou espaços comerciais para operações físicas de marketplaces, sendo o Busca Busca o mais famoso deles. A estratégia não é substituir a moda, mas ampliar o leque de opções para quem visita o complexo, reforçando o conceito de ‘tudo em um lugar só’, assegura Antonio Almeida, head de marketing do Mega Polo ao portal GBLjeans.
“O comércio vive de fluxo. Então, o que nós estamos preservando aqui? O fluxo”, resume o executivo ao defender a mudança do perfil do centro atacadista. Ele informa que o Mega Polo registrou média de 100 mil pessoas por mês em 2025 e chegou a receber 60 mil visitantes em um único dia, em 3 de janeiro. Com esse aumento de movimento de pessoas, o shopping passou a abrir aos finais de semana e a atender também o consumidor final.
Em 2025, o complexo viu o ticket médio das vendas saltar de R$170 em 2024 para R$190, afirma Almeida. Conforme o executivo, um indicador crucial dessa retomada é o hotel do complexo, que mantém 100% de ocupação entre segunda e quarta-feira, dias em que o comprador atacadista tradicional viaja para fazer o abastecimento presencial.
PROJETOS GANHAM ESCALA
O complexo do Brás entra em 2026 focado na consolidação como ecossistema phygital, que projeta crescimento de, pelo menos, 10% sobre os resultados recordes do último ciclo. A estratégia para o ano é transformar o tradicional centro atacadista do Brás em um hub tecnológico, no qual sistemas baseados em inteligência artificial e o live commerce deixam de ser apostas experimentais para se tornarem novos pilares de operação para as 150 marcas com lojas no empreendimento.
Um dos principais projetos do ano é o sistema que usa Inteligência Artificial como assistente de vendas, funcionando 24 horas. Estruturado em duas camadas, chamadas internamente de “mãe e filha”, o sistema atua na gestão de leads e no fechamento de pedidos, inclusive durante a madrugada, captando a demanda de compradores que operam fora do horário comercial. Além de preparar as vendas para a equipe humana finalizar pela manhã, a IA identifica tendências por meio de fotos enviadas pelos clientes e sugere produtos complementares (cross-selling) entre diferentes lojas do shopping, explica Almeida.
Do piloto participaram em torno de 6 lojas. Neste primeiro semestre de 2026, serão 18, para refinar o modelo de negócios até estar pronto para atender as lojas que quiserem adotar a ferramenta de gestão, ressalta o executivo.
O Hub de Afiliados é outro projeto que o complexo espera expandir. Atualmente, a plataforma do shopping conta com 4 mil afiliados cadastrados. Pelo modelo implementado em 2025, em vez de a loja enviar amostras para influenciadores, o criador de conteúdo pode utilizar as 150 lojas físicas do complexo como cenário e com estoque imediato. A partir de fevereiro de 2026, começa a funcionar o primeiro live center B2B do Brasil, diz Almeida. É um espaço com estrutura própria para transmissões e ativações para lojistas e afiliados realizarem vendas ao vivo.
FUTURO
Para o biênio 2026-2027, o shopping planeja ainda a expansão da TV Mega Plaza e o lançamento de modelos de marketplaces integrados (Projeto WOW), que permitirão a pequenos lojistas a conexão direta com plataformas como Shopee, Amazon e TikTok, com integração logística e automação de vendas.
foto: divulgação



