Impressionado com a preocupação da Europa em torno do jeans ambientalmente responsável, empresa adota novas práticas
Ao desembarcar no Brasil vindo de uma viagem de pesquisa à Europa, Henrique Angonesi diretor da KDU, não quer mais perder tempo. Chamou parceiros industriais e fez uma reunião atrás da outra ao longo da semana passada para informar o novo posicionamento. Ele está determinado a alcançar produção ambientalmente sustentável em 2020. Até lá, adotou uma agenda de ações a serem executadas. “Sei que ser 100% sustentável é ainda impraticável no Brasil, porque o custo da produção é alto, não viabiliza. Mas dá para intervir parcialmente em todo o processo para reduzir consumo de água e produtos químicos e usar mais fibras naturais. Quando somar tudo isso, saio na frente da concorrência”, avalia o empresário.
Ontem, 22 de abril, Dia da Terra, ele marcou uma apresentação na sede da empresa para compartilhar os novos rumos com funcionários e representantes dos prestadores de serviços industriais com os quais trabalha. Como não tem produção própria, a KDU terá que negociar novos protocolos com os fornecedores. E esses precisarão adequar suas estruturas para continuar a atender a empresa que opera com quatro marcas – KDU, Kadori, Planet Play e KDN. Juntas, as coleções dessas marcas alcançam em torno de 300 mil peças por mês, diz Angonesi.
IMPACTOS NO PROCESSO
O que seria uma viagem como outras tantas que fez se tornou um divisor de água. Os contatos e empresas que visitou deixaram nele a impressão de que o Brasil está quase uma década de atraso em relação a iniciativas sustentáveis adotadas na Europa. Entre as prioridades da KDU daqui para frente, ele aponta a redução no consumo de água. Atualmente, quatro lavanderias processam o jeans da empresa. Três delas têm sistema para tratamento de água com a finalidade de reúso industrial. A quarta terá que investir em estação para reciclagem de água, aponta.
Para a parte produtiva, a prioridade será obter energia elétrica a partir de fontes renováveis. Por isso, vai priorizar confecções com investimento, por exemplo, em energia solar. Os novos requisitos para as unidades produtivas incluem dar um destino melhor não apenas aos resíduos têxteis, que já contam com coleta especial, como estender os cuidados também para o lixo fabril, como agulhas e correias quebradas de máquina de costura, aponta o diretor. “Até para otimizar custos já estamos reavaliando processos. Só que depois dessa viagem voltei mais animado para tocar as ações”, reconhece o empresário.
Na parte de tecido, a intenção é dar preferência àqueles que tenham composição com fibras naturais, como o linho, ou com algodão certificado ou de material reciclado, no denim. A adesão será gradativa porque os tecidos eco são considerados ainda caros. “Muito distante da realidade do varejo brasileiro”, avalia o diretor.
PRIMEIROS PRODUTOS
Para o inverno 2020, que as quatro marcas da empresa começam a desenvolver está prevista a criação de um produto específico dentro do conceito de sustentabilidade, adianta Angonesi. O maior desafio será a comunicação com o consumidor, diz ele. Por isso, a empresa estuda o desenvolvimento de um tag interativo que contenha todas as informações relevantes acerca do produto. O verão 2020 já está pronto e será lançado aos lojistas em maio, com linhas para homens e mulheres.
Com dez anos de mercado, a KDU está localizada em Santo Antônio do Sudoeste, cidade do Paraná que é um polo industrial de confecção de roupas.