Tecnologia inédita no mundo usa descartes de poliamida da própria produção, reduzindo pela metade o tempo de obra

A Lupo inaugurou em Roseira, cidade do Vale do Paraíba (SP), sua primeira loja construída com tijolos produzidos integralmente a partir de resíduos têxteis gerados pela própria indústria. Nomeado de econtainer, o projeto marca um avanço importante em circularidade no setor têxtil brasileiro ao transformar descartes de fios de poliamida em material de construção civil. No caso, com aplicação no varejo.
Desenvolvidos pela Wolf, empresa de Araraquara (SP) especializada na produção de termoplásticas, os tijolos ecológicos são os únicos no mundo feitos 100% com resíduos têxteis gerados pela própria indústria, afirma a Lupo. O projeto nasceu a partir de uma demanda da própria Lupo para dar destino sustentável ao material que passou a ser rejeitado por recicladores tradicionais a partir de 2007.
“Estamos transformando um resíduo que antes era um desafio em um ativo capaz de gerar impacto positivo e fechar o ciclo da nossa cadeia produtiva”, declarou em comunicado à imprensa Liliana Aufiero, diretora-presidente da Lupo. De acordo com a executiva, a loja representa um novo olhar sobre responsabilidade ambiental e inovação aplicada ao negócio.
Pesando cerca de 1 quilo cada, os blocos são montados por encaixe, sem uso de argamassa, cimento ou água, explica o informe da Lupo. E suportam até 18 toneladas de compressão, desempenho superior ao de blocos tradicionais de concreto, afirma o comunicado. Além disso, os tijolos de resíduos têxteis garantem conforto térmico e acústico, apresentando ainda propriedades retardantes a chamas. A construção da unidade, com cerca de 40 m², teve as paredes erguidas em apenas três dias após a preparação da base.
MODELO REPLICADO
Para a Lupo, o projeto funciona também como um piloto de expansão. A empresa avalia a replicação do modelo em outros pontos comerciais, como postos de gasolina, centros comerciais e lojas de rua. “Trata-se de uma solução modular, escalável e com redução de até 50% no tempo de obra”, declarou Carolina Pirola, gerente de expansão e implantação de franquias da Lupo.
Além da inovação na tecnologia de construção, a loja de Roseira contará com ações de conscientização ambiental, incentivando a destinação correta de embalagens e o engajamento de cooperativas e organizações locais, acrescenta a companhia. Os indicadores de desempenho da unidade servirão de base para definir os próximos passos do projeto, que pode se consolidar como um novo modelo de varejo alinhado às demandas ambientais e de eficiência do setor.
Empresa de 104 anos, a Lupo apurou receita líquida de janeiro a setembro de R$1,15 bilhão, alta de 2%. O lucro líquido do período anotou R$71,7 milhões. Ao final de setembro, a companhia operava com 915 lojas, entre as marcas Lupo, Lupo Sport e Trifil. Controla ainda a marca Scala.
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