Da coalizão participam 32 empresas, detentoras de 150 marcas, que se reuniram em Biarritz, em paralelo ao encontro do G7, na França.
Tendo como pano de fundo a reunião da cúpula do G7, realizada esta semana em Biarritz, no sul da França, 32 empresas se juntaram em torno no Fashion Pact. A iniciativa foi estimulada pelo presidente francês Emmanuel Macron. Em abril, ele convocou François-Henri Pinault, CEO do Grupo Kering, para coordenar os contatos com as demais empresas no sentido de estabelecer um acordo de ações conjuntas da moda em defesa do meio ambiente.
Até o momento, essas companhias representam marcas de luxo, esportes, lojas de departamento, grandes varejistas e fornecedores, multiplicados em torno de 150 marcas. Mas a previsão é de que mais nomes se aliem à causa. A intenção é estabelecer objetivos práticos para reduzir a impacto ambiental da indústria da moda. O movimento é considerado histórico em função da escala e importância das marcas envolvidas, ainda que todas contem com estratégias de preservação ambiental independentes.
Juntas no Fashion Pact, as empresas se comprometeram a alcançar objetivos comuns em três áreas: clima, biodiversidade e oceanos. Em comunicado quando do lançamento dessa aliança, os signatários afirmaram que não irão “reinventar a roda”, ou seja, iniciativa alguma começará do zero. Os três principais eixos estão de acordo com as prioridades estabelecidas pelo One Planet Lab, criado em setembro do ano passado, para acelerar a transição ecológica das nações.
METAS E COMPROMISSOS
As novas metas serão baseadas em iniciativas existentes, como o Apparel Impact Institute, a C&A Foundation, a Ellen MacArthur Foundation, o Fair Fashion Center, o Fashion For Good, a Sustainable Apparel Coalition, o Textile Exchange, a convenção da ONU sobre Mudanças do Clima (UNFCCC), a OIT (Organização Internacional do Trabalho)/ Better Work e ZDHC, aponta o comunicado. O objetivo das novas ações será preencher as ‘lacunas’ pendentes nas cadeias de suprimentos de moda.
Entre os objetivos está a redução e a eliminação da emissão de gases estufa na cadeia de produção da moda, de forma a reduzir o aquecimento global, com prazos que vão até 2030. Preservar a biodiversidade de ecossistemas ou investir na recuperação dela. A terceira meta é combater a poluição dos oceanos mediante a eliminação de plásticos de uso único. Também faz parte das diretrizes dos membros do pacto a adoção de fontes de energia renovável ao longo da cadeia, promoção de práticas de agricultura regenerativa e reciclagem de tecidos.
BIODIVERSIDADE E OCEANOS
No caso de biodiversidade, as empresas do pacto se comprometeram a cada uma desenvolver sua própria estratégia, mas com base nos alvos definidos pela ciência (SBT – Science-Based Targets). Podem variar de ações que incentivem a agricultura regenerativa. Seja com medidas de proteção à água ou corte nas emissões de carbono, restauração de solos e pastagens, ou ainda, apoiar inovações de materiais e processos que não exerçam impacto negativo sobre os ecossistemas, observa o documento do Fashion Pact.
Passa também por iniciativas de proteção e combate à degradação de florestas naturais. E garantir que a cadeia de produção preserve ou recupere ecossistemas naturais e as espécies que ali vivem, animais e vegetais.
O compromisso com os oceanos passa pelo reconhecimento que esse meio está se deteriorando muito rapidamente pelas ações humanas. O documento cita que até 2050 os recifes de coral não existirão mais, que a pesca oceânica restante pode ter entrado em colapso e atualmente poderia haver mais plástico no oceano do que peixes. Um dos compromissos é eliminar o uso de plásticos de uso único (em embalagens B2B e B2C) até 2030.
Favorecer ações que visam eliminar a poluição por microfibras devido às lavagens caseiras de roupas feitas de tecidos sintéticos. “Apoiar novas tecnologias e adotar controles de poluição para proteger os rios e oceanos de produtos químicos liberados na cadeia de suprimentos de produção de moda”, também é medida que consta do documento. E incluiria apoio a inovações para materiais de baixo impacto, rastreabilidade, medição e monitoramento de impactos e resultados, bem como os meios para escalar o financiamento do investimento nessas inovações, acrescenta.
EMPRESAS QUE INTEGRAM O FASHION PACT
Adidas | Karl Lagerfeld |
Bestseller | Grupo Kering |
Burberry | La Redoute |
Capri Holding Limited | Matches Fashion |
Carrefour | Moncler |
Chanel | Nike |
Ermenegildo Zegna | Nordstrom |
Everybody & Everyone | Grupo Prada |
Fashion3 | Puma |
Fung Group | Grupo PVH |
Galeries Lafayette | Ralph Lauren |
Gap Inc. | Ruyi |
Giorgio Armani | Salvatore Ferragamo |
Grupo H&M | Grupo Selfridges |
Hermès | Stella McCartney |
Inditex | Tapestry |