Além da preservação da biodiversidades e dos recursos naturais, parâmetros econômicos, culturais e sociais também deveriam fazer parte da agenda do futuro
Embalado pela repercussão do documentário Uma Verdade Inconveniente, protagonizado pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, o marketing do mundo inteiro anuncia que contribui para a preservação do meio ambiente. De ações carbon free, aquela que a empresa planta em árvores o equivalente ao que emite de gás carbônico, à substituição de matéria-prima poluente e mecanismos para diminuir o impacto negativo sobre a natureza, as iniciativas ditas sustentáveis têm se multiplicado como formiga. Não é diferente na área de moda, menos ainda em jeans.
No entanto, para ser efetivo, o conceito de sustentabilidade vai muito além de ações marqueteiras e não está exclusivamente vinculado à questão ambiental, como faz crer a maior parte das campanhas. Assim como filantropia não tem a ver com responsabilidade corporativa, sustentabilidade implica a construção de uma cadeia de produção e comércio justa – ou seja, em que todos ganhem, inclusive o trabalhador e o consumidor. Sustentabilidade significa que toda a cadeia é capaz de lucrar dentro do cenário de negócios e regras legais (trabalhistas, tributárias, fiscais) vigentes no país.
Dito dessa forma, até parece se tratar de um processo simples. Pela complexidade, a adoção de um programa de sustentabilidade representa ainda um imenso desafio para as empresas do mundo todo. Pesquisa da Intelligence Unit da revista The Economist demonstra que cerca de metade dos entrevistados (46%) acredita que os programas de sustentabilidade ajudam a melhorar o valor da marca de suas empresas e está presente na agenda estratégica. Mas somente 20% do universo consultado reconhece esses programas como fatores de aumento de rentabilidade porque ainda não encontraram a fórmula comercial, revela o estudo, cujos resultados foram divulgados este mês.
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