Em 50 anos, mudanças climáticas custaram US$200 milhões por dia, diz Organização Meteorológica Mundial

Dois novos relatórios científicos mostram o tamanho do problema que o mundo enfrenta em torno das mudanças climáticas. Para além de políticas públicas e de governo, também as empresas e investidores precisam
olhar para frente e considerar a urgência das medidas de mitigação. O mais abrangente relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) calcula, pela primeira vez, o prejuízo causado pelos desastres naturais.Conforme comunicado o braço das Nações Unidas para questões do clima, nos últimos 50 anos, o mundo enfrentou prejuízo de US$ 202 milhões por dia, causado por desastres naturais de ordem meteorológica, climática ou hidrológica. E 115 pessoas morreram por dia nesse período como consequência dessas calamidades.
De acordo com o Atlas de Mortalidade e Perdas Econômicas da OMM, entre 1970 e 2019, cerca de 11 mil eventos extremos meteorológicos, climáticos e hidrológicos extremos causaram “pouco mais de 2 milhões de mortes e US$3,64 trilhões em perdas”.
EVENTOS EXTREMOS
Outro relatório foi apresentado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Para os especialistas, o relatório fornece informações para empresas e investidores desenvolverem estratégias para melhorar a resiliência climática de cada companhia.
São apontados como eventos extremos a onda de calor intenso que atingiu a Sibéria, uma região tradicionalmente associada ao permafrost (camada de gelo perene sobre o solo). O aumento da temperatura derreteu o gelo.
Ou os incêndios florestais associados a ondas de calor extremo e seca na América do Norte no verão de 2021.
Aponta ainda as grandes ondas de calor que têm atingido a América do Sul, elevando as temperaturas para além de 40ºC em alguns lugares e que levou à queda de umidade a níveis perigosos.
Da mesma forma, são exemplos as grandes inundações que arrasaram cidades de Alemanha e Bélgica em julho.
Todos são exemplos de eventos extremos ligados a mudanças climáticas, envolvendo o aumento da temperatura terrestre.
O IPCC explica que com temperatura mais quente, a atmosfera pode reter mais água, a evaporação fica cada vez mais rápida, ocasionando chuvas fortes.
RISCOS CLIMÁTICOS
Em outro extremo, o aquecimento global pode levar à intensificação da estação seca ou a seca extrema.
A temperatura do oceano aumentando, provoca derretimento da camada de gelo da Groenlândia e, consequente, aumento do nível do mar.
O relatório adverte que algumas mudanças climáticas podem ser retardadas e outras poderiam ser interrompidas, de modo a limitar o aquecimento global.
Para efeito de controle, os cientistas que trabalharam nesse relatório elaboraram um quadro em que mapeiam 35 riscos climáticos, agrupados em sete categorias.
Por esse desenho, definiram 30 riscos associados a terra e zona costeira; e cinco tratam exclusivamente dos perigos que envolvem o oceano aberto (área que fica fora das zonas costeiras).
Os riscos foram distribuídos pelo planeta, identificando as regiões onde pode haver aumento ou redução desses fenômenos climáticos.
1 Calor e Frio | Trata de temperatura média da superfície; calor extremo; frio intenso; ocorrência de geadas.
2 Molhado e Seco | Aborda média de precipitação; inundação de rios; precipitação forte e inundação pluvial; deslizamentos de terra; aridez; seca hidrológica; seca agrícola e ecológica; clima de incêndio.
3 Vento | Faz referência à velocidade média do vento; fortes tempestades de vento; ciclones tropicais; tempestades de areia e poeira.
4 Neve e gelo | Riscos envolvendo neve, geleira e camadas de gelo; permafrost (camadas de gelo permanentes); lagos, rios e gelo marinho; tempestades de neve ou de gelo; chuva de granizo; avalanche de neve.
5 Zona Costeira | Trata do nível relativo do mar; inundações costeiras; erosão costeira; onda de calor marinha; acidificação do oceano.
6 Outros | Aponta poluição do ar e clima; concentração de CO2 na superfície atmosférica; e radiação na superfície.
7 Oceano Aberto | Alude à temperatura média do oceano; onda de calor marinha; acidificação do oceano; salinidade do oceano; e nível de oxigênio dissolvido.
MAPA INTERATIVO
O IPCC ainda criou um mapa interativo, e aberto, que permite simular cenários de mudanças climáticas por regiões e países e possibilidade de desastres naturais.