Catarinense TNS Nanotecnologia desenvolveu aditivo antiviral de amplo espectro que permite aplicação também em produtos acabados.

Mais uma empresa de nanotecnologia brasileira entrou no mercado de antivirais à base de prata. Mas, diferentemente de concorrentes, a catarinense TNS informa que seu aditivo pode ser aplicado em superfícies diversas, inclusive em produtos acabados, como roupas. No caso do jeans,
as peças poderiam receber a proteção nas lavanderias. Os métodos de tratamento podem variar em processos de imersão ou tingimento. “Similar ao esgotamento”, aponta Gabriel Nunes, diretor da empresa.Segundo ele, o concentrado age como virucida para amplo espectro de vírus e agente antimicrobiano. Para alcançar o mercado de produtos acabados, a empresa fez parceria comercial com a Prox do Brasil, do francês Groupe Protex, que fornece produtos químicos diversos, especialmente para beneficiamento têxtil.
Para incorporação do produto à base de prata em fios e tecidos, a TNS Nanotecnologia atua diretamente com as empresas. Nunes explica que é pequena a quantidade necessária de produto a ser aplicado. Em uma calça jeans, de cerca de 800 gramas, bastariam 14ml para impregnar a superfície do tecido. O produto foi desenvolvido para inativar o vírus após 30 segundos de contato, com eficácia de 99,99%. Desceria a 99% depois de 50 lavagens, afirma o empresário. Os testes foram realizados em laboratório de virologia do Senai, baseados na norma ISO 18184, que dispõe sobre antiviral para produtos têxteis.
A TNS tem laudo para H1N1 e Influenza, além de Herpes tipo I. Mas a ação valeria também para o Sars-CoV-2, conforme o diretor.
NANOTECNOLOGIA APLICADA
A empresa está no mercado desde 2013 desenvolvendo aditivos funcionais com nanotecnologia, que agem contra bactérias que provocam mau cheiro e fungos, como os causadores de micoses. As aplicações são diversas, vão de pano de limpeza a tecidos, roupas de cama, mesa e banho, passando por tintas e polímeros a escovas de dentes e esponjas para pia de cozinha.
Devido à pandemia, a empresa ajustou o concentrado químico, que se diferencia dos concorrentes por conter um estabilizante do antiviral feito à base de extratos de plantas. “Isso é importante para o material ter similaridade com a parede do vírus (biomaterial) de modo a ser mais eficiente e econômico”, acrescenta Nunes. Outra propriedade destacada é o produto não ser citotóxico, ou seja, não causa danos às células do corpo humano.
Atualmente, a TNS conta com 150 clientes para os aditivos antibacterianos e 75 clientes para os antivirais. Atua em três verticais de negócios. A unidade Agro, com fertilizantes foliares, protetores de sementes e antimicrobianos para granjas. A divisão Chem produz aditivos antivirais, antibacterianos e antifúngicos. A TNS Care desenvolve cápsulas biodegradáveis para cosméticos e conservantes naturais, entre outros produtos.
AUMENTO DE PRODUÇÃO DE ADITIVOS À BASE DE PRATA
De acordo com Nunes, a produção mais que dobrou no primeiro trimestre. E ele acredita que possa triplicar até o fim do ano. Não só por causa da covid-19. Impulsionou a produção com a entrada no segmento Care e o avanço do segmento de fertilizantes em Agro. A fabricação é terceirizada para fábricas homologadas, alcançando 30 toneladas por mês. O desenvolvimento é feito no laboratório da empresa em Florianópolis que ocupa 200 metros quadrados de uma área total de 500m². Desde março, a empresa investiu R$1,2 milhão, aplicados em validações, contratação de pessoas, testes e análises.