Com ganhos que caíram quase 95% no primeiro trimestre, varejista antecipa projetos digitais a fim de se adaptar à nova situação.
Os efeitos da covid-19 atropelaram os resultados da Lojas Renner no primeiro trimestre do ano. A varejista de moda reportou queda de 93,6% no lucro líquido. Caiu de R$ 161,59 milhões, no primeiro trimestre de 2019, para R$ 10,41 milhões entre janeiro e março. Em teleconferência de resultados com analistas de mercado, a companhia atribuiu o recuo ao agravamento da pandemia. Além do fechamento de toda a rede de lojas, inclusive no exterior, a empresa entrou no que chama de “modo de segurança” e freou também as vendas por e-commerce. A partir de abril acelerou esse canal e antecipou projetos da área digital.
Entre as iniciativas está a Minha Sacola, lançada em 06 de maio. Por esse sistema, qualquer pessoa pode vender itens da rede de lojas. Para isso, depois de se cadastrar pode divulgar links em suas redes sociais. O que estava em uma lista de ideias a serem consideradas para 2021 foi implementada em uma semana, segundo disse a analistas de mercado Fabio Faccio, presidente da Lojas Renner.
Ship from Store é outro projeto cuja implantação foi antecipada. Prevê fazer das lojas hubs de logística de modo a reduzir o prazo de entrega e custos. Algoritmos de inteligência artificial verificam onde está localizado o consumidor e as unidades mais próximas para fazer chegar a mercadoria até ele. O teste começou em março com uma loja. Em abril, foi estendido para 50 unidades. A expectativa é alcançar 180 lojas, em duas a três semanas, afirmou Faccio.
A venda por Whatsapp que começou em abril está sendo estendida para Porto Alegre, São Paulo e Manaus. O modelo de entrega Drive Thru está disponível hoje em 120 lojas da Renner.
AJUSTES IMPLANTADOS
A coleção do outono/inverno foi lançada no início de março. “Entramos na crise com estoque enxuto e novo”, afirmou Faccio. Ele considera que essa condição daria à empresa boa margem. Mas que a companhia não deverá realizar, face ao ambiente promocional agressivo mantido por concorrentes “que precisam de caixa ou estão muito estocados”. O executivo considera que “estamos bem preparados para passar por essa situação”.
A companhia encerrou o trimestre com 597 pontos de venda, seis a menos do que operava em dezembro. Da bandeira Renner, são 379 lojas, 13 das quais no exterior (nove no Uruguai e quatro na Argentina). De janeiro a março, fechou uma unidade. De moda jovem, a Youcom ficou com menos três pontos, encerrando o trimestre com 98 unidades.
A Camicado abriu uma operação e fechou outras três. Chegou a março com 112 lojas. A Ashua manteve as oito unidades que administrava em dezembro.
RESULTADOS DO PERÍODO
A companhia registrou receita líquida de R$ 1,86 bilhão, de janeiro a março. O valor corresponde à queda de 1,5% na comparação com igual período do ano passado. O investimento até março somou R$ 89,4 milhões, aumento de 5,8% sobre o primeiro trimestre de 2019. Do total, R$ 49,6 milhões foram reservados para abertura de novas lojas. Outros R$ 25 milhões para sistemas e equipamentos de TI.
Até 22 de maio, a companhia contabilizava 109 lojas reabertas: 75 da Renner, 11 da Camicado, 22 da Youcom e uma da Ashua.
A Renner informou a captação de R$ 2 bilhões para reforço do caixa. Sobre a cadeia de fornecimento, a empresa destacou que manteve grande parcela dos pedidos, ainda que ajustados à nova realidade. Acrescentou ter negociado ampliação de linhas de crédito para parceiros industriais, nas quais assume as garantias. A medida envolveu 180 fornecedores.
Sobre planos da retomada, a empresa cita a instalação de lockers em locais públicos para retirada de mercadorias compradas pela internet. Foram contratados 40 desses armários, com mais 600 previstos até o final do ano.