O lucro do último trimestre melhorou o desempenho da varejista que prevê fechar 18 lojas em 2019 ainda como parte dos ajustes
Mesmo comemorando a boa virada de 2018, depois de três anos operando no vermelho, a Marisa Lojas ainda não encerrou completamente o processo de ajustes pelo qual vem passando desde meados do ano passado. Em conferência com analistas de mercado para apresentar os resultados do balanço financeiro, a varejista informou que planeja fechar até 18 lojas ao longo de 2019, medida para a qual provisionou gastos de R$ 70 milhões. Ao longo de 2018, a rede varejista encerrou 17 unidades, consideradas ineficientes, uma no primeiro semestre e 16 na segunda metade, concluindo o período com 377 lojas em operação.
O processo de resizing da companhia incluiu a redução do quadro de funcionários do escritório central em 10%, atingindo todos os níveis hierárquicos, informou a empresa. Em paralelo, reforçou a estratégia de concentrar foco na estratégia comercial que promoveu melhorias em produtos e no novo plano de comunicação que visa colocar a Marisa para brigar com os grandes em termos de oferta de moda, de maneira a recuperar o fluxo de clientes nas lojas, tanto antigos como novos.
Com a empresa mais enxuta, a Marisa assinalou lucro líquido de RS$ 159,53 milhões no quarto trimestre, contra R$ 326 mil de perdas em igual período do exercício anterior. Essa recuperação ajudou a companhia a encerrar 2018 com ganhos líquidos de R$ 28,36 milhões, ante o prejuízo líquido de R$ 60,43 milhões acumulados em 2017.
Em termos de receita líquida, porém, os resultados continuam negativos, com queda de 3,8% sobre o ano anterior, caindo para R$ 2,76 bilhões em 2018. No quarto trimestre, a receita líquida foi de R$ 801,03 milhões, recuo de 4,1% em relação ao mesmo trimestre de 2017.
MAIOR PRESENÇA EM COMÉRCIO ELETRÔNICO
As vendas na loja online subiram 77% no último trimestre, ajudando a elevar o crescimento em 35% no ano. Segundo disse Marcelo Pimentel, vice-presidente de operações da Marisa, aos analistas de mercado, 40% do mix comercializado são formados por produtos exclusivamente destinados ao comércio eletrônico, como calçados, moda plus size e infantil. Outro projeto em estudo seria colocar a loja Marisa dentro de algum grande marketplace. Mas esse seria um plano para o segundo semestre de 2019, explicou Pimentel.
Sobre a estratégia de omnichannel, com mercadoria sendo comprada pela internet e retirada nas lojas, ou envio de produtos a partir da loja, Pimentel contou que o modelo foi implantado em dez lojas e que será estendido para outros pontos da rede nos próximos dois trimestres. A visão da Marisa é a de que a loja online ajudou a melhorar as vendas e serviu de ferramenta para atrair aos pontos físicos compradores que não eram clientes habituais da rede.