Investimento em tecnologia da companhia buscou sobretudo fortalecer vendas online e unificar canais mediante integração de lojas.
No primeiro trimestre de 2019, o esforço da Restoque foi na forte atualização da base tecnológica da companhia rumo à estratégia digital. A empresa investiu na unificação de canais mediante a integração entre lojas físicas e online. Alterou ainda o modelo comercial de modo a fortalecer o ecommerce próprio e as vendas para multimarcas tradicionais. “Este movimento impacta negativamente nossa receita no curto prazo”, informou a holding que controla cinco marcas, entre as quais John John e Le Lis Blanc.
Assim, a holding que vinha melhorando os ganhos a cada trimestre registrou prejuízo líquido de R$ 11,28 milhões de janeiro a março de 2019. Representa perda contra os R$ 20,37 milhões em lucro líquido anotados no primeiro trimestre de 2018. O balanço ainda mostra que a receita líquida no período encolheu 16,3%, passando de R$ 299,32 milhões de janeiro a março do ano passado para R$ 250,39 milhões no primeiro trimestre de 2019.
A conferência com analistas de mercado buscou explicar as bases da estratégia e anunciar os novos projetos. No segundo trimestre, a Restoque iniciou o projeto de omnichannel, para integrar vendas de lojas físicas e online. “Esperamos que todas as nossas lojas estejam integradas e com operação de check-out móvel dentro deste segundo trimestre”, informou a companhia na conferência.
OMNICANALIDADE COMEÇOU PELA JOHN JOHN
O projeto de unificação de canais começou pela John John, em abril. O estoque das 50 lojas físicas da marca estão integrados também para venda online. O omnichannel foi implementado em 35 das 99 lojas da Le Lis Blanc ao longo de maio e em parte das 68 unidades da Dudalina. A expectativa é até final de junho ter integrado as operações de Bo.Bô e Rosa Chá.
Segundo a empresa, na primeira quinzena mais da metade (53,7%) das vendas online da John John foram feitas via omnichanel. Ou seja, com estoque disponível em loja e/ou para retirada em loja. No caso da Le Lis Blanc, no mesmo período, as vendas dentro do conceito de canal único responderam por 36,5% do total realizado a partir do ecommerce.
O projeto de omnicanalidade da Restoque terá dois estágios. No primeiro que já começou os clientes têm acesso ao estoque localizado nos CDs e ao estoque das lojas. E escolhe se quer receber as compras em casa ou retirá-las em uma das lojas físicas. O segundo estágio estende a comodidade às lojas físicas. Através de dispositivos móveis operados pelos vendedores das lojas físicas, o cliente pode comprar algum produto que não esteja disponível na hora naquela unidade. A intenção é a rede da John John concluir o estágio 2 até este final de maio. E as demais marcas até o final de junho.
MUDANÇAS INTERNAS E INVESTIMENTOS
Para chegar a esse ponto, a empresa já vem investindo na retaguarda há um ano. Mudou as etiquetas de preço para um novo padrão que inclui QR code, fez automação dos dois CDs e o desenvolvimento de sistema de check-out via dispositivo móvel, entre outras iniciativas. Estas mudanças visam acelerar o crescimento de vendas online da empresa ao longo de 2019, afirmou a Restoque. O balanço indica que a receita de ecommerce correspondeu a R$ 6,9 milhões no primeiro trimestre. Representou queda em relação ao mesmo período de 2018 atribuída à mudança de plataforma.
Em função dos novos projetos, o valor do investimento aumentou em comparação com o desembolso realizado no mesmo período do ano passado. Passou de R$ 26 milhões, em 2018, para R$ 42 milhões no primeiro trimestre de 2019. Não houve abertura de lojas, com a rede mantendo 257 lojas.
ÁREA INDUSTRIAL FOI ENXUGADA
No trimestre, a empresa continuou com o programa de reestruturação industrial. Nessa etapa final, juntou as duas unidades de corte e costura em uma fábrica só e totalmente integrada. A medida derivou em aumento de despesas extraordinárias, como os custos das demissões. “Acreditamos que essa medida, além de reduzir custos logísticos e possibilitar ganhos de escala, simplifica nossa estrutura e aumenta nossa produtividade”, explicou a companha no relatório.
A estrutura que com as incorporações de marcas chegou a ter cinco fábricas, passa a operar com duas plantas industriais (uma no Paraná e outra em Goiás) e dois centros de distribuição (um em São Paulo e outro em Goiás). Por esse novo desenho, em Goiás, a unidade de finalização de produção está integrada ao CD.
MENOS VENDAS PROMOCIONAIS
Em paralelo a essas iniciativas de integração de lojas físicas e online, além da reestruturação industrial, a Restoque reduziu o volume de vendas remarcadas das coleções no varejo. Entre outras medidas, cortou as vendas para lojas online de terceiros, concentrando a oferta no próprio ecommerce e reduzindo o conflito com o canal tradicional de multimarcas, que passou também a receber menos mercadorias remarcas. “Nossa expectativa é de que ao longo do ano de 2019, compensaremos a venda de remarcações com crescimento em nosso canal de atacado”, destacou a empresa em conferência com investidores.