Atualmente, 200 multimarcas do grupo de Farm e Animale podem acessar e vender os estoques das marcas pela plataforma da empresa.

A pandemia de covid-19 fez o Grupo Soma acelerar projetos em andamento. Em um deles o Soma investe para integrar o canal de atacado em seu ambiente omni. Iniciado em abril, o projeto contava com 200 multimarcas habilitadas a acessar e vender os estoques das marcas dentro da plataforma da companhia. Até o final do ano, a meta é
integrar mais 800 até atingir a marca de mil multimarcas qualificadas para operar no novo modelo.Conforme teleconferência com investidores, a holding estima que ao final de 2020, as revendas terão acesso a 40% dos produtos disponíveis para venda na plataforma. O Grupo Soma investe para integrar o atacado todo, em torno hoje de 3 mil multimarcas, até meados de 2021.
De acordo com a empresa, as multimarcas poderiam assim incrementar vendas, sem ter que investir em estoque. E teriam uma remuneração especial sobre as vendas realizadas nesse modelo.
No segundo trimestre, as 200 multimarcas integradas movimentaram R$2,2 milhões em vendas.
Segundo a próxima etapa do projeto, já em curso, o Soma investe para integrar o estoque das multimarcas, vendendo pelo e-commerce do grupo, em um modelo semelhante ao de um marketplace. “Essa segunda etapa significará a total integração dos estoques e canais de venda do grupo”, afirma o relatório que acompanha a divulgação do primeiro balanço trimestral da companhia depois do IPO em julho.
SEMESTRE TERMINA EM PREJUÍZO
Como a maior parte do varejo de moda, também o Soma viu os ganhos prejudicados pelas medidas para conter o contágio por covid-19. A companhia encerrou o semestre com prejuízo líquido de R$76,21 milhões contra lucro líquido de R$44,77 milhões no primeiro semestre de 2019.
Nesse confronto, a receita líquida caiu 19%, passando de R$592,68 milhões em 2019, para R$482,88 milhões no primeiro semestre de 2020.
No segundo trimestre, a receita líquida atingiu R$188,36 milhões, queda de 37% sobre o mesmo trimestre do ano passado. O canal de varejo na web sustentou as vendas brutas do grupo. O e-commerce registrou R$185 milhões.
Assim, o trimestre assinalou prejuízo líquido de R$32,7 milhões, ante lucro líquido de R$18,84 milhões entre abril e junho do ano passado.
OTIMISTA QUANTO AO SEGUNDO SEMESTRE
“Devemos nos preparar para um mercado bastante promocional no segundo semestre, que trará estoques antigos e grades furadas, o que certamente prejudicará os volumes de receita, abrindo espaço para que ganhemos muito marketshare”, afirmou o CEO do Soma, Roberto Jathay, na teleconferência com analistas de mercado e investidores.
De acordo com o empresário, a companhia decidiu, mesmo com a pandemia, não mudar o cronograma de compras de estoque e lançamentos de coleções. Restringiu as promoções ao segundo trimestre, para entrar com as novidades a partir do segundo semestre. O relatório do trimestre afirma que foi bem-sucedido o lançamento das coleções de Animale, Farm e Cris Barros, realizado em meio à pandemia. “Com uma sinalização positiva em relação a recuperação das margens e aumento dos níveis de venda a preço cheio no 3T20 e 4T20”, acrescentou a análise.
Outro projeto no segundo semestre prevê o lançamento da Farm na Saks Fifth Avenue, nos Estados Unidos, e no Zalando, na Alemanha.
Abertura de lojas é projeto a avaliar a partir de janeiro de 2021, conforme a empresa na teleconferência.