Grupo goiano investe para ampliar participação no polo atacadista da região da 44, em Goiânia, com a inauguração de mais 230 lojas.
Durante o Mega Moda Fashion, o evento de moda realizado pelo grupo goiano que controla dois empreendimentos comerciais no polo atacadista de Goiânia, concentrado na região da 44, a empresa anunciou que antecipou em dois meses a inauguração da expansão do Park. Prevista para final de outubro, a segunda etapa de construção do centro comercial terá abertura oficial no dia 30 de agosto, informou Carlos Luciano Martins Ribeiro, presidente do grupo. Serão 230 lojas a mais.
Desde novembro de 2018, quando foi inaugurado, o Mega Moda Park conta com 220 lojas, distribuídas em dois andares. A terceira etapa de construção prevê a expansão do shopping atacadista para receber mais 350 lojas, com abertura estimada para o segundo semestre do ano que vem. Até lá terão sido investidos R$ 160 milhões, parte com recursos próprios e outra parte financiada por linha de crédito de banco privado.
O projeto contempla mais uma quarta etapa, com o levantamento de duas torres. Uma de conjuntos comerciais e outra residencial, que deverá assumir o modelo de flat, não de hotel. E que deverão estar prontas em 2021, previu o empresário em encontro com jornalistas na semana passada em Goiânia. O investimento para essa fase ainda não foi estipulado, diz Martins Ribeiro.
Ele fez o anúncio no segundo dia do MMF – Mega Moda Fashion, evento realizado pelo grupo goiano e montado no Mega Moda Shopping, o mais antigo dos dois empreendimentos, aberto em 2011. É ali, em um dos andares do centro comercial, que monta o evento uma vez por ano desde 2014. Começou com um dia de desfile e nesta edição cresceu para três dias. As apresentações são à noite. No shopping funcionam 1,3 mil pontos, entre boxes e lojas.
INVESTIMENTO DE R$ 1 MILHÃO
Em 2019, 47 marcas de diferentes segmentos de moda com loja no shopping mostraram lançamentos voltados para a primavera/verão a compradores. Mesmo com desfiles e da badalação em torno de rostos conhecidos que passam pela passarela, o superintendente do shopping Chrystiano Câmara enfatiza: “É um evento de vendas”. No qual, a empresa investiu R$ 1 milhão para montar a nova edição, realizada entre 14 e 16 de agosto. Para os três dias, foram convidados 250 compradores de diferentes partes do Brasil, que tiveram todas as despesas pagas. O público é maior, em torno de 5 mil pessoas que assistem os desfiles pelos telões instalados do lado de fora da sala de desfile.
Cada marca paga R$ 6 mil para desfilar, destacando seis looks entre os lançamentos. Além do interesse em participar, o Mega Polo estabelece alguns critérios. Dois são básicos, diz Câmara. Não ser apenas importador é um deles. O outro é que a marca tem que produzir o que vende, ainda que de forma terceirizada. “O sonho é ter uma semana inteira de evento. Quem sabe na 7ª edição no ano que vem a gente não faça de terça a sexta”, considera Martins Ribeiro, um entusiasta do setor e articulador de mudanças na região.
PROJETOS DE REURBANIZAÇÃO, MOBILIDADE E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS
Com oito anos em funcionamento, o Mega Moda é um dos empreendimentos mais recentes da região da 44, que continua a atrair investimentos. Além da expansão do Mega Moda Park, pelo menos dois novos centros comerciais estão em construção naquele setor, na parte menos movimentada do quarteirão, tocados por concorrentes. Ao se instalar na região, o Mega Moda implantou o modelo de shopping atacadista que oferece conveniências aos compradores, como os que existem em outras partes do Brasil, mas que não havia na 44, lembra Câmara.
Citando dados da AER-44 (Associação Empresarial da Região da 44), o executivo diz que atualmente tem 92 empreendimentos em operação no entorno, entre shopping e galerias menores. Juntos mantêm 12 mil pontos de vendas em modelo de atacarejo, esparramados por menos de uma dúzia de quarteirões. Outros 6 mil pontos estão vinculados à feira hippie e precursora desse que se transformou no principal polo atacadista de moda de Goiânia e um dos maiores do país, com movimentação estimada pela associação em torno de R$ 700 milhões por mês.
Mas que cresceu de forma desordenada. Os empresários defendem mudanças. Entre as primeiras obras está a reurbanização do espaço onde funciona a feira hippie e que fica entre a principal zona de venda atacadista e a rodoviária da cidade, que tem integrado o Araguaia Shopping e com a Estação da Moda ao lado.
Para as ruas dos quarteirões onde funcionam os grandes centros comerciais atacadistas a reivindicação é melhoria da mobilidade, com intervenções como alargamento das calçadas, fiação pública subterrânea, ordenamento do hoje caótico fluxo de carros. Segundo Martins Ribeiro, um projeto de reurbanização e mobilidade foi entregue à prefeitura este ano pelo grupo.
Outro ponto que ele defende é incentivar Goiânia como um polo distribuidor de moda, para além da região da 44. A visão dele é a implantação de um circuito de moda que integrasse a 44 com outras regiões que já tiveram mais expressão na economia local, como o bairro Campinas, que abriga distribuidores de matéria-prima têxtil, como tecidos, aviamentos, manequins e produtos para noivas. Ou as avenidas 85, 24 e a Bernardo Sayão, que já foram fortes no atacado de roupas. “Isso atrairia mais compradores”, afirma o empresário, sem dar mais detalhes de como o projeto funcionaria na prática.
PROGRAMA DE ENCADEAMENTO PRODUTIVO
Segundo Câmara, o Mega Moda tem simultaneamente investido na capacitação das marcas instaladas nos dois empreendimentos – Shopping e Park. Uma das ações mais recentes foi o apoio do centro atacadista ao Programa Nacional de Encadeamento Produtivo, desenvolvido pela unidade regional do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). É um tipo de consultoria para profissionalizar a gestão das empresas, desde aspectos administrativos, operacionais e de produtividade, até a parte de produção, compra de insumos, criação de produtos e venda.
Segundo o grupo, 18 marcas que estão no Mega Moda foram selecionadas para participar do programa. Por dois anos, consultores do Sebrae de diversas áreas vão auxiliar na profissionalização dos processos de gestão de cada uma das empresas. O Sebrae banca metade do valor do projeto, 36% são financiados pelo Mega Moda e os 14% restantes são custeados pelas próprias marcas.