A oportunidade de estreitar o relacionamento com a base de multimarcas tem estimulado projetos em diferentes segmentos, como o que prepara a Hering, o site próprio da Versão A e o marketplace do Mega Moda
Ampliar o canal de distribuição por meio do comércio eletrônico tomou conta do varejo e começa a chegar também às vendas de atacado. Assim como os varejistas buscam melhorar a experiência de compra do cliente, as empresas esperam ter mais proximidade com os lojistas e ter uma comunicação mais direta com as multimarcas para pedidos de complementação de estoques.
O lojista do segmento têxtil está acostumado a comprar avaliando catálogos impressos e peças de mostruário, além da visita dos representantes de vendas. “Este suporte físico deve ser substituído ou melhorado pelo digital, ao oferecer mais recursos de visualização das peças, aperfeiçoando a análise das compras”, afirma Alexandre Nasciutti, diretor executivo de consultoria da EY. Como a quantidade de clientes do atacado é menor, a comunicação com esse público fica mais focada, permitindo estreitar o relacionamento com a base de clientes.
O shopping atacadista Mega Moda, de Goiânia (GO), que conta com 1,3 mil pontos de venda de atacado, foi um dos primeiros a oferecer uma plataforma de comércio eletrônico para os revendedores, com a criação de um marketplace que teve a adesão de 40 lojistas até o final de 2017. “A idéia não é a entrada indiscriminada de atacadistas, mas gradativamente ir preparando as empresas para experimentarem esse novo canal”, explica Chrystiano Câmara, superintendente do Mega Moda Shopping. Para entrar, é necessário ser fabricante e ter um volume mínimo de produção.
O Mega Moda espera reunir cem fabricantes na plataforma até o final de 2018 atendendo a principal expectativa dos lojistas de alcançar clientes de estados mais distantes e que têm mais dificuldade de viajarem até Goiânia.
ADOREI MODAS AMPLIOU A PRODUÇÃO
Uma das marcas que está no novo marketplace é a Adorei Modas, fabricante de calças femininas, com dois meses de operação. De acordo com a proprietária Carla Silveira Bastos, o intuito é prospectar novos contatos e atender a base de clientes, principalmente no norte e nordeste. “Temos 5 mil seguidores no Facebook e no Instagram e esse novo canal nos permite ter um sistema mais organizado para receber pedidos online”, diz Carla. Reconhecendo a importância das redes sociais para se aproximar mais dos clientes, a Adorei Modas está contratando um gerente só para cuidar desse canal.
Com produção de 5 mil peças mensais, a entrada no marketplace do Mega Moda exigiu aumentar a disponibilidade de estoques. “Conforme o aumento da demanda analisamos a ampliação da produção e para agilizar a reposição de peças”, diz Carla.
VERSÃO A DESENVOLVE O PRÓPRIO SITE
Outros atacadistas e pólos de moda no país têm aumentado suas apostas nas vendas virtuais. A Versão A, fabricante de jeans do Brás, na capital paulista, abriu o comércio eletrônico há três meses. “Nesse início de operação estamos colhendo feedback dos lojistas para aprimorar o site”, ressalta a proprietária, Salma Abdul Fáttah. Com desenvolvimento interno, o site está sendo divulgado gradativamente para uma carteira de cem clientes da empresa, com a meta de atender em torno de mil multimarcas em 2018. Segundo Salma, o objetivo é ter um estoque mais enxuto e atender clientes que já conhecem a marca, mas não têm tempo de visitar o showroom.
HERING PREPARA LANÇAMENTO ESPECIAL
Durante o Hering Day, encontro realizado em dezembro com analistas de mercado, a companhia anunciou que um dos planos para 2018 está o lançamento do ecommerce para multimarcas, plataforma que está sendo desenvolvida pela consultoria Ernest Young, relata a editora Jussara Maturo. O sistema deverá funcionar como uma ferramenta de relacionamento e de vendas, especialmente para que as multimarcas reponham estoques, sem que o representante comercial precise se deslocar até a loja para essa reposição.
Segundo a empresa, o canal eletrônico de atacado também deverá ser alimentado com promoções especiais. Outra idéia em estudo é abolir os eventos de showroom de lançamento de coleções e substituir por ações realizadas pela web, com alcance maior. O catálogo em papel seria aposentado e substituído por uma versão eletrônica turbinada para explorar as capacidades de interação com os lojistas.
MULTIMARCAS SÃO PARTE ESTRATÉGICA DO OMNICHANNEL DA M.POLLO
Já a M.Pollo, do grupo MPL, iniciou sua estratégia de comércio eletrônico pelo varejo para, posteriormente, envolver os lojistas. Lançado em dezembro de 2017, o portal faz parte da estratégia de divulgar a marca junto ao público final em conjunto com as lojas próprias de varejo. A fabricante goiana aposta no omnichannel, modelo pelo qual o cliente final pode ser atendido em qualquer canal, seja físico ou digital. “Conforme a experiência virtual for amadurecendo, a idéia é que o cliente possa pedir pelo portal e pegar a peça ou fazer trocas na loja mais próxima, envolvendo as multimarcas no processo”, explica o gestor de e-commerce da M.Pollo, Gabriel Bontempo.
As lojas fora das regiões onde a M.Pollo tem lojas próprias continuam a ser atendidas por representantes comerciais e recebem coleções diferentes das oferecidas online para evitar problemas de concorrência, explica André Ribeiro, gerente nacional de vendas do grupo. A expectativa é que o consumo online represente entre 7% e 10% do resultado do varejo da M.Pollo em 2018. Hoje 80% das vendas da marca vão para o atacado e 10% para o varejo.
O projeto do site consumiu um ano de trabalho com operação terceirizada em modelo de computação em nuvem, no qual a infraestrutura e o software ficam em um fornecedor externo. A parte logística é o grande desafio, aponta Bontempo. A empresa fez uma parceria com os Correios, negociando preços para garantir melhores prazos e fretes. “Se o produto é pedido pela manhã, no mesmo dia ele é separado, embalado e enviado para a transportadora”, afirma. A empresa abriu um novo centro de distribuição dentro de sua estrutura fabril apenas para atender os pedidos do comércio eletrônico. Em 2018, segundo Ribeiro, além da venda pelo site próprio, os produtos da M.Pollo devem chegar a outros marketplaces de moda.