Com a atualização de equipamentos e controle no tratamento de efluentes, confecção catarinense que emprega 2,2 mil funcionários investiu para poupar recursos naturais
As confecções de jeans estão cada vez mais preocupadas com o impacto do processo produtivo no meio ambiente, e por isso traçam estratégias para atender o público de consumidores conscientes que buscam peças sustentáveis. Com essa filosofia, a catarinense Damyller repensou sua cadeia de produção e vem se transformando para consumir menos recursos hídricos, produtos químicos e economizar matéria prima.
Especializada em moda jeanswear, a marca só compra tecido de três fabricantes de denim que trabalham com algodão certificado. “Cerca de 99% da compra de insumo parte de fornecedores nacionais que valorizam a cadeia sustentável, além de sermos parceiros da iniciativa Sou de Algodão”, afirma Damylla Damiani, consultora de estilo da marca.
A empresa, que conta com 2,2 mil funcionários e produz 150 mil peças por mês, implantou sistemas de controle para processos que usam recursos naturais. Nos últimos cinco anos essa gestão permitiu economizar 120,7 milhões de litros de água, sendo 20 milhões de litros em 2017. “Só uma de nossas máquinas de processamento de jeans economiza 3,3 milhões de litros de água por mês”, destaca Damylla. Entre as tecnologias sustentáveis adotadas estão máquinas de laser, ozônio, desuso de produtos químicos e reciclagem. “Buscamos aproveitar o máximo de tecido possível para evitar desperdício e impactar menos o meio ambiente, encaminhando as sobras para cooperativas e ONGs da região”, explica Damylla.
A água usada na produção passa por um processo de tratamento, com uma série de etapas para a remoção dos compostos químicos, físicos e biológicos presentes no efluente e ser devolvida ao rio mais limpa do que quando foi captada, afirma a empresa. “Hoje só trabalhamos com os químicos chamados ‘seguros’, que agridem menos o meio ambiente”, diz Damylla. Além da economia de água, a empresa deixou de usar, mensalmente, quase uma tonelada de produtos químicos e são realizadas análises diárias do efluente para o monitoramento de diversos indicadores.
Os resíduos sólidos são separados e embalados conforme os padrões da legislação e caracterizados em dois tipos: os possíveis de reciclagem, que são enviados para as cooperativas, e os não possíveis de reciclagem, que vão para um aterro industrial controlado. “Não existe impacto zero, mas nosso objetivo é minimizar o efeito no ambiente”, diz Damylla.