Confira as dicas dos especialistas para evitar armadilhas

Trabalhar com tecido denim elastizado requer alguns cuidados. Por isso, o GBLjeans ouviu especialistas de diferentes áreas para saber como lidar para obter um jeans com elastano de qualidade. O elastano é um filamento sensível que pode ser danificado facilmente, quando manuseado de forma errada. Os cuidados variam da etapa de corte aos processos permitidos em lavanderias, passando pelo tipo de agulha mais adequado ao fechamento das peças na linha de produção.
Algumas tecelagens
juntam ao book manuais com orientações especiais para tecidos com elastano. São informações que cobrem os erros mais comuns cometidos no trato com tecidos elastizados e situações extremas. Convém às confecções sempre consultar essa literatura. Alguns dados são importantes, inclusive, para contratar os serviços de beneficiamento em lavanderia.Vale lembrar que em tecidos cuja composição entra também o poliéster, usado ultimamente para aumentar o brilho têxtil, os cuidados na lavagem devem ser os mesmos.
NA CONFECÇÃO
:: compensar a modelagem do jeans com elastano de acordo com o percentual de retração ou de alongamento de cada artigo
:: nunca utilizar toda a elasticidade que o tecido apresenta
:: deixar o tecido descansar 24 horas antes do corte, para que adquira estabilidade dimensional e se adeque às condições normais de umidade
:: o enfesto não pode ultrapassar 15 cm de altura
:: riscar o molde de maneira que todas as partes sigam na direção do urdume
:: porém, depois do corte, é bom evitar deixar o tecido de um dia para o outro para confeccionar a peça. A medida evita um problema chamado fuga de elastano. Quando em repouso por tanto tempo, o tecido acaba movimentando em função da umidade do local onde foi cortado
:: a fuga de elastano ocorre porque depois de muito tempo em repouso o filamento retrai, perdendo as propriedades nas bordas, ficando sem elasticidade próximo às costuras
:: a faca de corte deverá estar bem afiada para um corte de precisão
:: usar a máquina de corte em baixa velocidade e lâminas com guia
:: observe a pressão do calcador da máquina de costura para que o tecido não fique compactado, evitando o enrugamento pós-costura
:: reduzir a velocidade das máquinas de costura em 25%, para evitar o atrito por agulha aquecida
:: recomenda-se trocar agulhas a cada mil peças costuradas
:: usar agulhas com ponta de bola é outra medida recomendada
:: muitas vezes, quando a agulha desgasta o fio, o problema só aparece depois da lavagem
NA LAVANDERIA
Clareamento
:: evite o clareamento com produtos clorados, pois, o princípio ativo desses produtos atua sobre o elastano podendo causar perda de elasticidade, rupturas na trama e as conseqüentes deformações no produto acabado
:: para o jeans com elastano os especialistas recomendam clareamentos à base de permanganato de potássio (KMnO4), por esgotamento, utilizando as quantidades desse produto em função das tonalidades desejadas
:: outra opção de clareamento é empregar redutores no processo. Normalmente, as reduções são obtidas em temperaturas que giram em torno de 95°C. Ao término desse procedimento, deve-se adotar o resfriamento, evitando o choque térmico – prejudicial à estrutura do elastano
:: é aconselhável usar um redutor à base de glicose
:: mesmo fazendo a neutralização, pode ficar resíduo do cloro de acordo com o Ph do produto utilizado e o problema aparece com o uso. A sobra vai reagindo conforme a peça é lavada pelo consumidor. O resultado é que a peça justa, por exemplo, acaba laciada
:: normalmente se deve evitar oxidantes fortes, como o Hipoclorito de Sódio (cloro), porque esses produtos atacam os polímeros do elastano, modificando as propriedades químicas e físicas. Em outras palavras, fazendo o filamento perder a elasticidade, problema que pode ocorrer depois que a peça foi utilizada pelo consumidor final
:: outra alternativa seria utilizar o cloro associado a um catalisador, que diminui o tempo de ação (ao invés de 15 a 20 minutos, as peças ficam em contato com o agente químico somente uns cinco minutos)
Estonagem
:: cuidado ao utilizar pedras e enzimas ácidas no jeans com elastano
:: o uso inadequado de pedras pode ocasionar rupturas em peças confeccionadas com qualquer tipo de tecido. Mas no jeans peças com elastano, as conseqüências podem ser piores
:: mas é possível estonar com pedras, desde que haja controle do tamanho da pedra e da relação de banho a ser empregada, principalmente para os tecidos com peso inferior a 10 oz/yd2
:: para os tecidos mais leves, recomenda-se o uso de pedras em tamanhos menores ou reutilizadas (desde que devidamente descontaminadas), por apresentarem tamanho adequado e ausência de arestas superficiais. É recomendável, ainda, adotar relações de banho acima das utilizadas habitualmente, por reduzir o atrito, minimizando consideravelmente o problema. Encontrar a proporção ideal entre a quantidade e o tipo de pedras e a relação de banho a ser utilizada em função do peso do tecido ideais depende, basicamente, da realização de testes prévios em lavanderia.
:: algumas tecelagens não recomendam o uso de pedras em artigos abaixo de 10oz
:: o uso de enzimas ácidas também não é contra indicado por alguns especialistas. Porém, por atuar de maneira mais intensa sobre a fibra de algodão, deve-se controlar quantidade e/ou tempo de processo para evitar perdas excessivas de resistência do tecido com elastano
:: outros especialistas são taxativos, recomendando evitar a utilização de enzimas ácidas para tecidos com elastano, independentemente do peso do artigo
Resinados
:: na maior parte dos processos com resina, o uso de altas temperaturas é fundamental. Portanto, para aplicar esses processos em peças com elastano, testes prévios devem ser realizados de forma a verificar o comportamento apresentado pelo tecido
:: altas temperaturas tendem a propiciar encolhimentos excessivos e alterações na estrutura do elastano
:: hoje existe mais de 200 tipos diferentes de resinas e mescla (misturas de resinas). Então, o uso de uma delas vai depender do peso do tecido (precisa ter grande resistência) e o tipo de resina. As resinas que exigem polimerização, portanto, altas temperaturas, não são recomendadas
Secagem
:: secar peças com elastano exige a observação do tempo e da temperatura empregados. A medida é importante para o controle do nível de encolhimento das peças
:: a temperatura adequada para secagem deve oscilar entre 60 e 70°C
:: os secadores a vapor são os mais indicados por efetuar a secagem com maior umidade garantindo melhor toque às peças. Nos secadores a gás, as peças tendem a ficar com toque áspero e apresentar encolhimento acima do esperado
Altas temperaturas
:: o elastano não deve ser submetido à temperaturas altas sob pressão, pois, sua ruptura se dá nessas condições
:: no índigo, a temperatura não pode ser superior a 70º C e no PT esse perigo é maior, não podendo atingir mais que 60º C
:: no PT pode-se realizar tingimentos reativos ou então com corantes diretos, desde que não atinjam a 90º C
:: o resfriamento tem que ser gradual e constante para não agredir o elastano
:: alguns são radicais e não recomendam uso de temperatura acima de 40ºC para evitar problemas futuros para o consumidor final, porque o defeito não aparece na hora. Exemplos de problemas: com o tempo e as sucessivas lavagens o tecido perde a elasticidade
Fontes consultadas
Agulhas Schmetz do Brasil – Alexander Moser (diretor)
AllWashed – José Tadeu Dias (encarregado)
DyStar do Brasil – Luis Antonio Hoerner (responsável por denim)
Garmon – Marco Nava (gerente de exportação)
Garmon Sul América – Said El Chama
Gleison Carneiro – consultor em washdesign
Lavamatic – Alexandre Monteiro Dall´0Lil (diretor)
Lavinorte – Marcelo Queiros (gerente de produto e desenvolvimento)
Santista Têxtil – Fábio Santos, gerente de processos de lavanderia
Splashcor – Augusto dos Anjos (Laboratorista)
Texpal – Norberto Canelada Campos (diretor)