Como já ocorreu em outras ocasiões recentes, o desabastecimento acabaria por beneficiar a indústria com aumento das encomendas no início do ano seguinte
Passada a expectativa de que 2018 seria o ano de retomada dos negócios no mercado têxtil e de roupas, a revisão aponta para números mais modestos, porém, ainda ligeiramente superiores ao crescimento de 2017. “Há muito pessimismo em relação ao final de ano. Eu não acho. Acho que vamos ter um final de
ano até que razoável. Mas o que acontece quando a demanda pode acontecer acima do que se espera? Você não acha produto na loja”, analisa Marcelo Villin Prado, diretor do Iemi – Inteligência de Mercado, em palestra para jornalistas, organizada pela Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção).
Segundo o analista, o desbastecimento do varejo de roupas no final de ano pode repetir o já aconteceu há dois/três anos. “Vai ter consumidor que não vai achar no ponto de venda aquilo que queria ou estaria disposto a comprar pelo próprio receio e conservadorismo do varejo diante de expectativas que não são as melhores. Na prática, esse resultado melhor não vem para a indústria e nem o próprio varejo consegue aproveitar o potencial de demanda que pode encontrar no final de ano. Isso é chato”, observa Prado.
Segundo Fernando Pimentel, presidente da Abit: “já estamos vendo uma busca de encomendas de abastecimento local até muito em cima da hora para o final do ano e por isso acho que possa surpreender para melhor”. O lado bom desse quadro, acrescenta o diretor do Iemi, é que a falta de produtos nas lojas tende a estimular o varejo a se abastecer para o primeiro semestre, aumentando as encomendas, acima do registrado nos primeiros seis meses de 2017.
REVISTAS PROJEÇÕES PARA O MERCADO DO DENIM
De acordo com as previsões de agosto da Abit, a expectativa era de a produção interna de vestuário crescer entre 0,4% e 1% em 2018, e que o volume de calças jeans produzidas no país mantivesse a participação tradicional estimada entre 5% e 7% do total. Pelas projeções do Iemi, o setor estará entre os que devem amargar recuo. “Estamos revisando, mas deve ter queda de 2% em volumes e de 5% em valores nominais (sem descontar a inflação). São as camadas mais altas que estão puxando as compras de jeans. Buscam um produto para todas as ocasiões mas que tenha elementos de moda dentro dele”, explica Prado, informando que em 2017 foram produzidos 270 milhões de calças jeans, 18% das quais confeccionadas em Pernambuco.