Além dos três países onde já mantém 20 operações, a companhia fez parcerias no Panamá, na Costa Rica e no Chile em 2017, e a Argentina deve ser o próximo alvo, sem descartar produção local
A partir do ano que vem, a Cia Hering vai avaliar a internacionalização da empresa sob novas perspectivas. Além dos três países onde já mantém 20 operações, a companhia fez parcerias comerciais no Panamá, na Costa Rica e no Chile no último trimestre de 2017. Em estudo, a participação na Colômbia, no Peru, no Equador e na Argentina. Mas, o país portenho onde a empresa chegou a ter 50 lojas em operação no início da década de 2000 é o candidato mais forte a receber investimentos em 2018.
Também faz parte dos planos a diversificação do mix de produtos, já iniciada em 2017, com a inclusão de novas categorias de produtos em todas as marcas. Além de calçados e bolsas, já encontrados nas lojas da Hering Store, por exemplo, a marca também vai passar a vender bijuterias. Ações de co-branding serão intensificadas. E a empresa informou a analistas de mercado que participaram do Hering Day, encontro realizado na semana passada na capital paulista, que está avaliando transformar suas lojas virtuais – cada marca tem a sua – em marketplaces, passando a vender marcas de terceiros.
INTERNACIONALIZAÇÃO DA COMPANHIA
Até setembro, a Cia. Hering tinha 19 franquias no exterior – nove delas no Uruguai, sete no Paraguai e três na Bolívia, todas da Hering Store. O master franqueado paraguaio decidiu expandir a operação e há questão de um mês abriu uma megaloja da Hering Kids no Shopping Del Sol, na capital Asunción. As 20 franquias nos três países vizinhos são lojas grandes com área entre 300 e 400 metros quadrados.
Faz parte dos planos de expansão internacional da companhia diversificar o modelo comercial como existe no Brasil, com presença no varejo a partir de franquias, lojas próprias, multimarcas e venda online para consumidores de outros países. Segundo a empresa, no exterior trabalha hoje com 40 multimarcas no Uruguai, 30 no Paraguai e de dez a 15 no Chile. “Novidade em 2017 foram os parceiros no Panamá e na Costa Rica”, disse a empresa. No Paraguai e no Uruguai a interação com as multimarcas é feita pelos master franqueados de cada país. Nas novas praças a atuação é direta.
A Argentina voltou ao radar da Hering porque a companhia avalia que com Maurício Macri na presidência o país vem passando por mudanças substanciais de abertura de mercado, que atraiu marcas internacionais com suas próprias lojas, como Adidas e Nike, e redes de lojas de roupas, como a Zara. Avalia que o ambiente por lá deverá permanecer em evolução até 2023, porque a Hering acredita na reeleição de Macri em 2019.
PRODUÇÃO NA ARGENTINA
A expectativa é abrir uma loja na Argentina até o final de 2018, mas não sabe ainda em qual modelo – se por franquia, loja própria, híbrido ou plataforma online. Pela análise realizada no mercado argentino, a companhia observou que as marcas de fora mantêm no varejo físico uma composição de mix com 70% de produtos importados e outros 30% com produção local. Ao avaliar o retorno ao mercado argentino, a Hering não descarta repetir o mix adotado pelas marcas estrangeiras.
MONTAR O PRÓPRIO MARKETPLACE
Atualmente, a Hering opera seis lojas virtuais, uma para cada marca – Hering Store, Hering Kids, Puc, Dzarm, Hering For You e Espaço Hering (outlet). Os estudos já começaram para a partir de 2018 alterar o perfil dessas lojas online a fim de transformá-las em marketplaces especializados, passando a vender marcas de terceiros que possam complementar o mix, estimulada pelas iniciativas de co-branding, como a firmada com a La Garçonne, de Alexandre Herchcovitch, que teve hotsite dedicado de vendas e que vai paras lojas físicas a partir de março; e com a marca alemã de sandálias Birkenstock.
NOVO RITMO DE LANÇAMENTO DE COLEÇÕES
A Cia. Hering pretende também continuar os esforços no sentido de reduzir o prazo entre o desenvolvimento das coleções e sua chegada ao mercado. Para isso, vem aperfeiçoando o planejamento de produção de forma a reduzir sobras e não ter faltas. Outra decisão em curso prevê abandonar o formato atual de lançamento de seis coleções por ano. Desde meados deste ano, a empresa testa o lançamento de cápsulas, com coleções menores, e se animou com os resultados.
Pretende intensificar a liberação de pequenas, e mais frequentes, coleções. Na área de produtos planeja revisar toda a parte de estamparia e ampliar a diversidade de modelos, incluindo mais shapes e novos materiais, disse a companhia aos analistas de mercado durante o Hering Day.