Desaceleração das operações é comum nesse mês, com queda tanto na importação como na exportação, enquanto mercado aguarda entrada em vigor do acordo Brasil-Colômbia
Depois de dois meses em alta, as importações de denim enfraqueceram em outubro, ainda que continuem em patamar bem acima do registrado em outubro de 2016. O Brasil comprou US$ 2,1 milhões em denim de fora, queda de quase 37% sobre o valor internado em setembro, mas cerca de quatro vezes mais que o valor negociado em outubro do ano passado, de acordo com o sistema de acompanhamento do comércio exterior do Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços).
Mais da metade do denim importado pelo Brasil veio da China, responsável pela venda equivalente a US$ 1,61 milhão. O Equador é o segundo maior país fornecedor tendo enviado ao mercado nacional US$ 298,38 mil. Bem depois aparece Hong Kong com a venda de US$ 57 mil.
As exportações que também vinham de dois meses de crescimento, da mesma forma caíram em outubro. O país embarcou US$ 3,59 milhões no mês, queda de 14,75% na comparação com setembro, quando o país atingiu o pico do ano. Já em relação a outubro de 2016, o recuo foi de 4,5%, mostram os dados do sistema do Mdic.
O principal destino do denim brasileiro continua sendo a Argentina que comprou US$ 1,66 milhão. Bolívia é o segundo principal comprador com a compra de US$ 301,68 mil em tecido; e o terceiro país é o Paraguai com US$ 249,58 mil.
ZERA ALÍQUOTA NO COMÉRCIO COM A COLÔMBIA
A partir de 2018 o mapa de destino do denim brasileiro pode sofrer alterações. A expectativa é que entre em vigor o acordo comercial com a Colômbia que zera a alíquota de importação entre os dois países para algumas categorias de produtos, como têxteis, automóveis e siderúrgicos. O chamado ACE 59 (Acordo de Complementação Econômica) se arrastou por mais de uma década. E destravou em meados do ano com a suspensão da Venezuela do Mercosul.
Contudo, a entrada em vigor da medida não é imediata e depende de alguns passos. O acordo precisa ser protocolado formalmente na Aladi (Associação Latino-Americana de Integração), iniciativa que o governo brasileiro informou à Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) que já teria providenciado. A seguir os órgãos responsáveis pelas relações exteriores de cada país, no caso brasileiro, o Itamaraty, farão a análise jurídica da composição do acordo.
Se aprovado, os governos de Brasil e Colômbia publicam o acerto no Diário Oficial, com a expectativa de entrada em vigor após dez dias da publicação, esclarece a Abit.
REGRA DE ORIGEM
O acordo é considerado bom porque usa os fios como regra de origem. Se fosse tecido, por exemplo, o risco seria a Colômbia se tornar um mercado de passagem para produtos chineses, que entrariam no Brasil com alíquota zero, explica uma fonte do setor. Do jeito que foi negociado, a chamada alíquota zero a zero só vale para tecidos fabricados com a maior parte de fios produzidos localmente em cada país.
Para o denim brasileiro pode servir de alavanca para as exportações. No ano passado, o Brasil vendeu para a Colômbia US$ 5,82 milhões em denim. De janeiro a outubro de 2017, foram embarcados US$ 1,67 milhão.
Sem uma indústria de fabricação de denim tão forte quanto a brasileira, a Colômbia nunca vendeu um metro de denim em 20 anos.