Segundo CNI, vestuário é o grupo que enfrenta mais problemas, mas pesquisa do IPEA mostra que, no geral, sobram trabalhadores
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O IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) anunciou nesta quinta-feira, 28, um estudo cuja conclusão surpreende em um primeiro momento. Segundo a pesquisa, em 2011, o Brasil terá excesso de um milhão de trabalhadores qualificados e com experiência, com projeção de demanda de 21 milhões de vagas a serem ocupados e, do outro lado, uma oferta de 22 milhões de trabalhadores. A notícia é otimista no geral, mas os problemas surgem na análise regional e setorial.
De acordo com os dados do IPEA, a indústria deverá ser o único setor com déficit de mão-de-obra, da ordem de 35 mil trabalhadores em todo o Brasil. O saldo entre oferta e procura de trabalhadores na indústria é negativo nas regiões sul (51 mil), sudeste (15 mil) e centro-oeste (4,5 mil). No norte e nordeste, ao contrário, sobra pessoal para ocupar postos qualificados na indústria, 11 mil e 26 mil, respectivamente, mostrou o relatório feito a partir de informações do IBGE e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
A indústria já sentiu na prática essa falta. Uma sondagem feita pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), em janeiro, com 1.616 indústrias, revelou que para 69% delas encontrar trabalhador qualificado tem sido um problema. O índice sobe para 94% quando se considera apenas os operadores para a produção, e também é mais alto entre pequenas e médias que nas grandes empresas.
O setor de vestuário, incluindo a produção de jeans, foi o que mais registrou reclamações de falta de mão-de-obra qualificada entre os grupos ouvidos pela pesquisa da CNI, com índice de 84%. Segundo o estudo, as principais causas do problema seriam a baixa qualidade do ensino básico da população economicamente ativa e a insuficiência do ensino técnico, tornando difícil para as empresas aumentar o nível de competitividade.
Capacitação
Pressionado, o governo federal anunciou algumas medidas, cujos efeitos serão sentidos no médio prazo, se efetivamente implantadas. Uma das ações foi o anunciado plano de investir R$ 1,1 bilhão na expansão da educação profissional. Atualmente, são 354 unidades de ensino, com cerca de 400 mil vagas de ensino técnico. Também foi lançado, nesta semana, o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico), cuja meta, segundo o governo, é formar 3,5 milhões de trabalhadores até 2014.
No início da semana, o MTE informou que tem projeto para investir R$ 25 milhões na capacitação de 80 mil trabalhadores da construção civil, por meio de entidades como o SENAI, mas, procurada pela reportagem do GBLjeans, a equipe do Ministério não respondeu se haverão iniciativas nesse sentido em relação à indústria têxtil e de confecção.