Previsões foram revistas para cima, mas o consumidor final não deixou de comprar
Se em 2010 o destaque da economia foi o elevado crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), com 7,5% de aumento em relação ao valor registrado no ano anterior, 2011 começou com uma preocupação que está na memória recente dos brasileiros, mesmo que em nível bem distante do visto na década de 1980: o fantasma da inflação, que com a indexação de preços afeta diretamente o consumo e a produção, desestabilizando todo o ciclo da economia. Para o mercado de jeans, a esse cenário de alta geral de preços se soma a escalada da cotação do algodão, formando um quadro de cautela.
O consumidor final, porém, ainda está confiante, conforme mostra pesquisa da Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), divulgada na última semana de abril. Segundo a sondagem, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF), medido apenas na capital paulista, permaneceu estável em 135 pontos no primeiro trimestre do ano, mas representa expansão de 3,1%, quando comparado a igual período de 2010. O índice vai de 0 a 200. Se o valor estiver abaixo de 100, demonstra insatisfação dos consumidores, acima disso, significa otimismo em relação às compras.
A meta de inflação visada pelo Banco Central (BC) é de 4,5%, com variação de 2 pontos. Os primeiros resultados do ano, no entanto, têm ido contra essa meta. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medido pelo IBGE, ficou em 2,44% no primeiro trimestre de 2011, e no acumulado de 12 meses o valor foi de 6,3% em março, acima dos 6,01% registrados em fevereiro.
Em março, o índice foi de 0,79% em relação ao mês anterior. No grupo vestuário, no entanto, o índice, medido em onze regiões metropolitanas, ficou abaixo da média, tendo apontado alta de 0,56%. O IPCA-15 de abril ficou no mesmo patamar, marcando aumento de 0,77%, comparando-se ao índice em março. Para o vestuário, porém, foi de 1,46%.
Outro índice de referência para a inflação no Brasil é o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, que variou para cima 0,45% em abril, na comparação com março. Dentro do grupo de matérias-primas brutas, ao contrário, foi verificado declínio dos preços em 0,57%, sendo os maiores responsáveis por isso o algodão, a laranja e o café.
Esse cenário levou a CNI (Confederação Nacional das Indústrias) a rever suas previsões de crescimento do PIB e de inflação para 2011. A entidade informou, em recente comunicado, estimativa de que o PIB deverá crescer 3,5% e de que a inflação fique em torno de 6%. Em dezembro, as previsões eram de 4,5% e 5%, respectivamente.