Embora as coleções de inverno sejam tradicionalmente mais caras que as de verão, lojistas avaliam que o aumento foi maior e revelam preocupação com a próxima estação
Multimarcas consultadas pela equipe do portal GBLjeans instaladas em diferentes regiões do Brasil confirmam a tendência de alta no preço do vestuário. Embora as coleções de inverno sejam tradicionalmente mais caras que as de verão, por causa do tipo de roupa e material empregado, os lojistas avaliam que o aumento foi além da média histórica. O repasse para o preço de venda ao consumidor foi automático, mas, eles sentiram a resistência dos clientes em renovar o guarda-roupa.
A alta do algodão está entre os motivos apontados por vários deles para explicar o aumento e, por conseguinte, a queda nas vendas. Mas, como lembra Sarita Demétrio, dona da Be Pink – multimarcas de São Paulo (SP) que vende jeans Caos, Divina Pele e Juliana Jabour – ainda é cedo para avaliar o comportamento das vendas na estação. “As vendas de inverno apenas começaram”, diz ela.
Outros fatores afetam o cenário, dificultando as projeções para o inverno. Várias marcas anteciparam seus lançamentos de inverno, obrigando as lojas a manter um preview da estação, em pleno sol escaldante de fevereiro. O inverno tardio e o aperto no crédito promovido pelo governo também podem influenciar a população na hora de consumir.
Por isso, as multimarcas se mostram mais preocupadas com as compras de verão. “O aumento para o inverno já é esperado, o que nos preocupa agora é o aumento que vamos ter para o próximo verão sobre os preços do verão 2011”, resume Isabelli Farias, da multimarcas Corphus, de Maceió (AL), que vende Morena Rosa e Lança Perfume.
Estimativa divulgada por representantes da indústria têxtil e de confecções apontava para aumento em torno de 30% nos preços ao consumidor das peças de inverno. Entre as multimarcas consultadas pelo GBLjeans, os aumentos do inverno variam muito conforme a região, podendo saltar de 15% a 60%.
Segundo Márcio Furlanetto, proprietário da loja Semáforo, em Curitiba (PR), que comercializa Cavalera, Zoomp e Coca-Cola Clothing, o acréscimo aplicado pelas marcas foi de, no mínimo, 30%. Ele conta que um modelo básico de camiseta básica que no verão vendia a R$ 60,00, será vendido no inverno por R$ 100,00, o que representa aumento de 60%. Sobre repassar o aumento para o consumidor, ele diz: “Estamos tentando repassar, mas as vendas caíram muito”. Situação semelhante enfrenta a multimarcas Zatton, de Porto Alegre (RS), que vende marcas como a Morena Rosa. A loja viu o valor de suas compras de inverno aumentar 50% sobre o valor desembolsado para abastecer a loja com a coleção de verão.
O comportamento de compras do consumidor também varia de acordo com a região. Silena Soares, responsável pela multimarcas Luz e Cor, em São Bento, na Paraíba, que revende Morena Rosa, Colcci e Dona Florinda, ressalta que o comércio da região vem sofrendo com a queda nas vendas atribuída por ela à alta do algodão. Ela diz que a situação preocupa porque além de a cidade contar com várias lojas de vestuário, a região tem forte vocação para a produção de redes, produto que usa basicamente tecidos de algodão e que foi bastante prejudicada pela alta internacional do preço do algodão.
Fátima Ferreira, da loja Triato, de Goiânia (GO), multimarcas que vende DTA, Acostamento, Lez a Lez, destaca que na sua região o jeans foi o produto que mais sofreu. “O que senti mais nessa estação foi a diminuição de compras de calças jeans”, conta.
As lojas que atuam no segmento de luxo, contudo, não verificaram queda no ritmo das vendas. A maioria informa que, até o momento, os aumentos não assustaram os clientes. “Nossa clientela continua comprando como antes. E ainda esperamos aumentar as vendas no inverno”, atesta Wagner Silva, gerente comercial da Can Can, multimarcas de Barueri, na Grande São Paulo, que vende A Teen, Alessa, MOB e Glória Coelho.
Outra butique que trabalha com produtos de luxo, entre os quais itens importados, também não sentiu os efeitos com a mudança de preços, garante Mônica Marques, dona da Empório, multimarcas de Guararema, no interior de São Paulo, que comercializa grifes como Diesel, Levi´s, Carmim, Triton, Index e Beagle. Ela observa que o preço médio de um jeans da chamada primeira linha permanece em torno dos R$ 600,00 e com clientes dispostos a pagar por ele.
*com reportagem de Bárbara Lacativa