Mesmo com a troca de coleção, cuja renovação se intensifica em setembro, a indústria do vestuário mostra IPP em queda
Se a indústria brasileira como um todo repassou para os preços os efeitos da alta do dólar, as empresas do setor têxtil e de confecção não conseguiram aplicar o mesmo nível de reajustes em setembro sobre o mês anterior. Os preços industriais subiram 2,93% em setembro, de acordo com os dados da pesquisa para formação do IPP (Índice de Preços ao Produtor), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Economia e Estatísticas). No mesmo mês, os fabricantes de itens têxteis reajustaram em 1,55% sobre agosto.
Mais próximas do consumidor final, as confecções de roupas ainda sentem o varejo devagar e seguraram os preços mesmo em setembro, normalmente mês de transição para as novas coleções e que costuma ter altas fortes. O recuo foi de 0,56%. Além de roupas, apenas produtos não-metálicos reduziram preço em relação a agosto (-0,74%) entre as 24 atividades acompanhadas pela pesquisa do IBGE.
Como o IPP de vestuário foi revisto pelo IBGE, apontando redução de 0,03% em agosto, em vez de alta de 0,06%, a atividade registra queda de preços pelo terceiro mês consecutivo. No acumulado de janeiro a setembro, porém, as confecções aumentaram os preços em 7,38% em relação a igual período do ano, mesmo assim ficando abaixo do índice de reajuste dos têxteis (aumento de 9,21% nos primeiros nove meses de 2018).
Para efeito de comparação, os preços na porta de fábrica da indústria como um todo, tanto a de transformação quanto a extrativista, acumulou alta de 14,02% entre janeiro e setembro. Sobre setembro de 2017, os aumentos dos preços industriais foram ainda mais contundentes, de 18,2%, consideradas todas as atividades.
De novo, o repasse dos setores têxteis e vestuário foram menos agudos. Os preços dos itens têxteis ficaram 0,21% mais caros que em setembro de 2017. Para as confecções, ficaram praticamente estáveis, com pequena alta de 0,04%, mostra a pesquisa do IBGE.