Depois de três meses seguidos de inflação avançando fortemente, o reajuste de roupas, tecidos, calçados, bijuterias e jóias perdeu a força
Em novembro, a inflação perdeu a força no varejo de itens de moda. O aumento frente ao mês anterior foi de 0,10%, depois de três reajustes seguidos e pesados, sobretudo em outubro. Difícil saber até que ponto o movimento em torno da Black Friday, realizada na última sexta-feira de novembro, e que alguns lojistas transformaram em semana (week) e outros fazendo promoções no mês inteiro, ajudou a conter os avanços da inflação em moda, que ficou bem abaixo da inflação oficial brasileira, de acordo com os dados publicados na manhã desta sexta-feira, 8 de dezembro, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de novembro foi de 0,28%, bem mais contido que o reajuste de 0,42% registrado em outubro. No varejo de moda, a inflação foi pressionada pela alta de preços dos calçados, 0,26%, o mais alto entre os itens que compõem a cesta da categoria. Em patamar menor, também encareceram as roupas femininas (0,09%) e para crianças (0,11%). Vilãs em outubro, as roupas masculinas apresentaram discreto recuo de preços de 0,03%, assim como retraiu o custo de bijuterias e jóias (-0,07%) e tecidos (-0,25%).
A inflação brasileira continuou pressionada pelo grupo Habitação, cujos preços variaram 1,27%, o de maior impacto em novembro. O principal fator foi o custo da energia elétrica que subiu, em média, 4,21%, diz a pesquisa do IBGE. “Em novembro, vigorou a bandeira tarifária vermelha patamar 2, já com a cobrança adicional do novo valor de R$ 5,00 a cada 100 Kwh consumidos. Em outubro, a bandeira tarifária vigente também era a vermelha patamar 2, porém o adicional era de R$ 3,50 a cada 100 Kwh consumidos”, constata o relatório que acompanha a divulgação dos dados.
COMPORTAMENTO DOS PREÇOS NAS CAPITAIS
Se em outubro os preços dispararam em 12 das 13 capitais cujo desempenho serve de destaque na pesquisa do IBGE para medir o IPCA, em novembro o movimento foi menos uniforme. Em cinco cidades, o custo de itens de moda caiu, com São Paulo se destacando: foi o mercado nos quais os preços mais recuaram (-0,24%) em todos os produtos, com exceção de roupas femininas (alta de 1,23%).
Ao contrário, a inflação de moda disparou no Distrito Federal com aumento de 0,98%, completando quatro meses consecutivos de alta. Capital mais cara para comprar itens de moda em outubro, Fortaleza manteve os reajustes para cima, com produtos ficando 0,77% mais caros em novembro. A outra cidade a registrar o terceiro maior nível de inflação do mês foi Campo Grande, com avanço de 0,69%, aponta a pesquisa do IBGE.