Moda teve queda em volume e receita no mês, aponta IBGE, mas, as perspectivas para agosto em diante são melhores, dizem os especialistas
A gangorra que tem marcado as vendas do varejo brasileiro em 2018 desceu em julho, com queda no volume comercializado e na receita nominal das lojas de roupas, tecidos e calçados em relação a junho, mostra a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Se o volume de vendas do varejo em geral caiu 0,5% em relação ao mês anterior, o comércio de moda registrou retração de 1%. Em termos de receita nominal, o aumento da inflação de julho favoreceu leve crescimento de 0,2% no faturamento do comércio em geral. Como os preços de moda caíram em julho (-0,60%), a receita nominal da atividade foi afetada, mostrando declínio de 0,9% no mês em comparação com junho, aponta o IBGE.
Diante dessa variação, o desempenho do varejo de moda descola completamente do comércio em geral no acumulado do ano. De janeiro a julho, as lojas de roupas, tecidos e calçados registram redução de 4,4%, em volume de vendas, e de 2,4%, em receita nominal. Já o varejo em geral acumula alta de 2,3% em volume e de 3,9% em receita nos primeiros sete meses do ano.
COMPARAÇÃO COM JULHO DE 2017 E COMPORTAMENTO DOS ESTADOS
Com retração de 8,4% em relação a julho de 2017, a categoria Tecidos, vestuário e calçados respondeu pela segunda maior contribuição negativa na composição da taxa geral do varejo que recuou 1% nesse confronto, diz o IBGE. Segundo o relatório da pesquisa, o resultado de julho em moda registrou a sexta queda consecutiva frente ao ano anterior. A receita nominal da atividade foi de 7,1% menor nesse período. Já a receita do comércio em geral cresceu 2,9% sobre julho de 2017.
Ao analisar o desempenho do varejo de moda nos 12 estados que são destaque na pesquisa do IBGE, em apenas quatro as lojas experimentaram alta nas vendas: no Rio Grande do Sul, que exibe variação positiva pelo terceiro mês consecutivo, com alta de 9,4% em volume e 9,3% em receita; em Minas Gerais, que registrou crescimento de 2,1% em volume e 4,4% em receita; em Santa Catrina, com aumento de 1,6% em volume e 1,3% em receita; e no Espírito Santo, com expansão de 0,8% e volume e de 2,3% em receita.
Nos outros 12 estados, o desempenho registra baixa tanto em volume quanto em receita. Segundo a pesquisa, a maior perda foi registrada pelo varejo de moda da Bahia, cujo declínio foi de 16,3% em volume e de 15,1% em receita; e mais uma vez do Distrito Federal, que viu as vendas caírem 15,7%, em volume, e recuarem 11,1% em receita.
ESTIMATIVA PARA OS PRÓXIMOS MESES
Segundo o Índice de Visitas a Shopping Centers (IVSC), realizado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), em parceria com a FX Retail Analytics, empresa especializada em monitoramento e fluxo para o varejo, em agosto aumentou em 0,38% o número de pessoas circulando pelos corredores desses centros comerciais em todo país, em comparação com o movimento de agosto do ano passado. Só no período anterior ao Dia dos Pais, houve crescimento de 1,22% se comparado com mesmo período de 2017, afirma a análise da FX Retail.
A tendência é o setor de moda ainda recuar em agosto, mês no qual a demanda caiu, influenciada pela forte alta do dólar. “Mas deve se manter estável em setembro”, estima Nuno Fouto, diretor vogal do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo). Deve contribuir para esse comportamento, a chegada da primavera ajudando nas vendas das coleções da estação. Na avaliação dele, ‘2018 deve ser um ano melhor que 2017”, diz Fouto, lembrando que as promoções de Black Friday, em novembro, assim como a liberação da primeira parcela do 13º salário ajudam a movimentar o comércio em geral incluindo os itens de moda.