Pesquisa do IBGE mostra queda tanto no comércio de moda, quanto no geral, com compras adiadas por conta da Black Friday
Em outubro, o varejo brasileiro acumulou resultados negativos. A queda geral foi de 0,4% em volume de vendas, interrompendo uma sequência positiva iniciada em junho. Mas em receita nominal houve discreto avanço de 0,3%. Em moda, os indicadores são de recuo em relação a setembro: -2% (volume de vendas) e de -2,1% (receita nominal), mostra a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
“O grupo de tecidos, vestimentas e calçados caiu 2% após quatro meses de taxas positivas. Enquanto isso, móveis e eletrodomésticos vem com -2,5%, após dois índices positivos. São atividades que têm uma presença forte na promoção em novembro, isso pode sinalizar um adiamento do consumo”, analisa Isabella Nunes, gerente da pesquisa.
Na avaliação dela, é possível que a expectativa por cortes de preços durante a Black Friday, em novembro, “tenha prejudicado os resultados do comércio em outubro em algumas categorias pesquisadas”. Das oito atividades acompanhadas mensalmente pelo IBGE, cinco apresentaram variação negativa na passagem de outubro para setembro.
ACUMULADO DO ANO
Se de janeiro a outubro o comércio como um todo viu melhorar o desempenho das vendas, dando sinais de uma lenta recuperação, o mesmo não se repetiu com as lojas de roupas, tecidos e calçados. A alta no varejo geral foi de 2,2% em volume e de 4,6% em receita, na comparação com os mesmos dez meses de 2017. Em moda, os indicadores permanecem negativos. Houve redução de 2,3% em volume de vendas no acumulado do ano e de 0,6% em receita.
COMPARAÇÃO COM OUTUBRO DE 2017 e COMÉRCIO NOS ESTADOS
Desde agosto, porém, o varejo de Tecidos, vestuário e calçados registra crescimento na comparação com igual mês de 2017. Em outubro, o avanço foi de 4,1%, em volume de vendas, e de 4,9%, em receita nominal, mostra a pesquisa do IBGE. Para o comércio como um todo, os resultados foram da mesma forma positivos: aumento de 1,9% em volume e de 6,8%, em receita.
O comportamento do varejo de moda nos 12 estados que são destaque na PMC indica melhora crescente. Apenas em quatro estados o volume de vendas ficou menor no confronto de outubro de 2018 com outubro de 2017, sendo que em um deles a receita melhorou. O Distrito Federal teve o pior desempenho, assinalando queda de 8,9% em volume de vendas e recuo de 4,4% em receita. Também caíram as vendas na Bahia (-5,5%, em volume, e -3,4%, em receita) e no Paraná (-4,4%, em volume, e -4%, em receita). Em Pernambuco, as vendas recuaram 0,2%, em volume, enquanto a receita subiu 0,7%.
Entre os resultados positivos, em quatro estados o varejo de moda voltou a subir acima dos 10%. Novamente o Rio Grande do Sul, que em outubro viu as vendas aumentarem 20,6% em volume e 20,2% em receita. Outra vez Goiás (17,1%, em volume, e 16,8% em receita) e Minas Gerais (12,1% em volume e 13% em receita). Completa o grupo, o varejo de moda do Espírito Santo, com alta de 11,5% em volume e 12,8% em receita, na comparação de outubro de 2018 com igual mês de 2017.