Apesar do recuo de 17% frente a abril, compras externas somaram US$660 mil em maio; exportações ficam estáveis

O forte ritmo de desembarque de denim estrangeiro no Brasil, que marcou o primeiro trimestre de 2026, ganhou tração em abril e consolidou uma mudança de patamar para o setor em maio na balança comercial. Embora a importação de denim tenham recuado 17% no mês passado em comparação ao recorde de abril, fechando em US$660 mil, o volume representa um salto enorme frente aos meros US$22 mil registrados em maio de 2025. No sentido inverso, as exportações do tecido mostraram perda de fôlego.
Da importação de denim em maio, a China responde por US$254 mil da balança comercial do setor. Saindo de zero em maio de 2025, Paquistão e Turquia aparecem em seguida, com US$191 mil e US$125 mil, respectivamente, em vendas para o Brasil em maio de 2026.
- Exportação de Denim: Somou US$3,7 milhões, estável em relação abril, com discreto recuo de 1,09%. No entanto, sobre maio de 2025, queda de 9%.
EXPORTAÇÃO: ALGODÃO DITA DESACELERAÇÃO
Os embarques totais do setor somaram US$535,5 milhões em maio, acusando freio de 17% em relação ao forte desempenho de abril. Essa desaceleração mensal foi puxada principalmente pelo algodão, a principal âncora da pauta, cujas vendas recuaram quase 20% no mês, embora sustentem uma sólida alta de 45% no confronto anual contra maio de 2025. Na outra ponta, o segmento de vestuário passou imune às oscilações e operou em estabilidade frente a abril, mantendo faturamento na casa dos US$20 milhões.
IMPORTAÇÃO: VESTUÁRIO FREIA NO MÊS
A entrada de produtos têxteis estrangeiros acompanhou o recuo geral e cedeu 15% na comparação com abril, fechando maio em US$560,4 milhões. O principal responsável por esse alívio temporário foi o mercado de roupas importadas, que encolheu expressivos 28,75% em um mês. A calmaria mensal é pontual, pois, a comparação com o mesmo período de 2025 mostra salto de 37,5% na importação de roupas. Na contramão do recuo mensal, apenas a importação de fibra de algodão seguiu em alta, avançando 3,47% sobre abril e 23% sobre maio de 2025.
ACUMULADO DE 5 MESES
O balanço dos primeiros cinco meses de 2026 consolida as pressões que vêm desenhando o ano para a indústria têxtil brasileira. No confronto dos dados acumulados contra o mesmo período de 2025, os resultados revelam dinâmicas distintas para cada elo da cadeia.
Balança Têxtil Total: As exportações globais do setor avançaram 5,72%, alcançando US$2,82 bilhões. Contudo, o ritmo das importações seguiu mais acelerado, registrando salto de 11,83% e movimentando US$3,20 bilhões de janeiro a maio.
- O Fenômeno do Denim: O segmento ilustra o momento de maior pressão externa. Enquanto as exportações de denim recuaram 13,61% no acumulado (caindo para US$15,23 milhões), as importações do tecido simplesmente saltaram de modestos US$105 mil em 2025 para US$3,02 milhões nos cinco primeiros meses de 2026.
- Algodão: A fibra segue como a grande âncora exportadora do país. Os embarques cresceram 7,60%, somando US$2,44 bilhões e mantendo o superávit do segmento. Já a importação de algodão recuou 25,11% no período, somando US$2,05 milhões.
- Vestuário/Roupas: Déficit continua esmagador. O Brasil exportou US$86,22 milhões em roupas em cinco meses de 2026, mas importou US$1,32 bilhão. Isso significa que para cada US$1 que o país vendeu de vestuário para o exterior, entraram US$15 em roupas estrangeiras no mercado nacional.
NAVEGUE PELO PAINEL
Os detalhes mensais, com as variações completas de cada segmento da cadeia têxtil em maio, podem ser consultados na tabela interativa abaixo.
Acompanhe o monitoramento contínuo dos fluxos de comércio exterior da cadeia têxtil e de confecção brasileira. O painel interativo abaixo consolida dados mensais que costumam ficar dispersos nas plataformas oficiais de comércio exterior. A plataforma utiliza como base os dados oficiais do Comex Stat (MDIC), cobrindo desde a exportação de fibras e matérias-primas até a importação de vestuário.
Consulte também a base histórica que abrange a Balança Comercial 2024 e a Balança Comercial 2025.




