Enquanto 48 seleções concorrem pela taça mais cobiçada do futebol, uma disputa bilionária já começou fora do campo

Nos bastidores da Copa do Mundo 2026, federações de futebol e marcas passaram a estruturar a imagem pública das seleções também nos momentos de deslocamento dos atletas entre aeroportos, hotéis, coletivas e eventos oficiais. Cada aparição pública dos jogadores representa um ativo de branding de escala mundial, consolidando de vez o “airport style” como uma das vitrines mais valiosas da indústria de moda nesse período.
Dados oficiais divulgados no Relatório de Audiência da Fifa (Fédération Internationale de Football Association) apontam que a Copa do Mundo de 2022 rendeu audiência global de 5 bilhões de torcedores em todas as plataformas de mídia. A expectativa da organização é, pelo menos, a de repetir o marco. Não à toa, marcas de luxo, alfaiatarias tradicionais e grupos de varejo passaram a disputar espaço no guarda-roupa das seleções, ao lado das fornecedoras esportivas clássicas.
De modo a mostrar os acordos costurados, o GBLjeans fez um recorte com as 11 seleções de futebol mais fortes e favoritas ao título e as marcas de vestuário que escolheram usar fora de campo durante a Copa do Mundo 2026. Como critério, o portal utilizou o ranking técnico oficial da Fifa/Coca-Cola, que acumula pontos conforme o desempenho a cada partida no período pré-Copa.
França que venceu a Copa de 2018 é a líder do ranking atual, seguida por Espanha, Argentina (campeã da Copa de 2022), Inglaterra, Portugal, Países Baixos, Marrocos, Bélgica, Alemanha e Croácia na 11ª posição. A seleção croata entrou na lista pelo surpreendente feito de 2018, quando perdeu o título para a França, ficando em 2º lugar.
BRASIL COM RICARDO ALMEIDA
Em 6º lugar no ranking das seleções favoritas, o Brasil renovou com Ricardo Almeida. É a terceira copa seguida que a marca do estilista fornece para a CBF (Confederação Nacional de Futebol) o look dos jogadores e da comissão técnica.
Para 2026, Ricardo Almeida desenvolveu ternos sob medida com lã fria italiana leve para a comissão técnica. Os jogadores usarão modelo da linha contemporânea RA2, substituindo o paletó tradicional por um modelo caban estruturado, focado em conforto para as viagens longas pela América do Norte. A Copa de 2026 será disputada nos três países da região – Estados Unidos, Canadá e México.
Em paralelo, a CBF combina Nike no uniforme esportivo e Jordan Brand, marca criada pela Nike para o jogador de basquete Michael Jordan, para as aparições de streetwear.
SELEÇÕES E MARCAS
Para essa Copa, as federações refinaram a segmentação comercial. Enquanto algumas focam no posicionamento institucional e na geração de valor global, outras priorizam a conversão da popularidade da seleção em receita comercial direta, negociando collabs para fãs e licenciamento de produtos licenciados com grandes redes de varejo.
Até a Fifa decidiu refinar a imagem, e elegeu a italiana Boggi Milano como a alfaiataria formal para vestir todo o comitê executivo e diretores.
Exemplo de estratégia de luxo é o contrato da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) com a grife de origem espanhola Loewe, controlada integralmente pelo grupo francês LVMH, que tem sido considerado o marco principal da temporada. Sob direção criativa de Jack McCollough e Lazaro Hernandez, a marca desenvolveu peças de alfaiataria que priorizaram conforto, funcionalidade e sofisticação discreta.
Montou conjunto de calças de corte amplo, camisa azul-claro, com blazer marinho amplo, de abotoamento simples, que traz o emblema da seleção bordado no peito e a logomarca terracota da Loewe na parte interna do punho que aparece apenas quando os atletas estão em movimento, explica a marca em comunicado à imprensa.
NOVOS RUMOS
No bloco britânico, a Inglaterra mantém parceria com a varejista Marks & Spencer. Dispensou ternos rígidos de três peças com gravata tradicional. A varejista criou uma linha moderna que mistura peças de alfaiataria com estilo casual sofisticado, com blazers estruturados, jaqueta bomber com funcões inteligentes, polo de tricô e calças de alfaiatria com pregas flexíveis.
Portugal deu preferência aos inovadores trajes tecnológicos (tech suits) à prova d’água da Sacoor Brothers.
A Alemanha estruturou sua imagem fora de campo em parceria com a Marc O’Polo, que atua como fashion partner da Deutscher Futball-Bund (DFB) na Copa do Mundo 2026. Marc O’Polo é uma marca de moda contemporânea de origem sueca-alemã, premium, mas não de luxo.
Assim, a seleção alemã encerrou o ciclo de longa data com a Hugo Boss. Na Copa de 2026, a casa de moda alemã será responsável, sob a marca Boss, por vestir a seleção de futebol dos Estados Unidos.
Já a seleção da Croácia fechou parceria oficial com a marca canadense Mackage, conhecida pela filosofia de “estética que protege”, envolvendo casacos, malas e alfaiataria estruturada que os jogadores usarão em eventos oficiais fora das partidas.
Para a Copa 2026, a seleção dos Países Baixos anunciou parceria até 2030 com a marca italiana
Cavallaro Napoli. De seu lado, a Bélgica acertou com a plataforma de ecommerce Zalando.
Até o momento, não há anúncio oficial da federação sobre acordo com alguma marca para vestir a seleção da Argentina fora do campo.
Líder do ranking, a seleção da França tampouco anunciou o fornecedor de alfaiataria oficial para a Copa do Mundo de 2026, concentrando sua estratégia de moda fora de campo na colaboração entre a patrocinadora esportiva Nike e a casa de moda Jacquemus, voltada ao lifestyle e ao vestuário pré-jogo da seleção.
WEB STORY
Para outros detalhes entre as marcas de moda e as 11 seleções de futebol favoritas ao título da Copa do Mundo 2026 , confira o infográfico interativo na nossa Web Story logo abaixo.
foto: divulgação Fifa





