Grupo preserva força do atacado, abre lojas, investe R$5 milhões na fábrica e inicia nova fase da Iódice a partir de 2026

Durante décadas, o grupo Morena Rosa construiu seu crescimento quase exclusivamente por meio do atacado multimarcas. Se até 2014, o atacado respondia por 100% das vendas, ao longo do tempo a companhia alterou a matriz da receita. Atualmente, o atacado representa 55% do faturamento, enquanto os canais diretos ao consumidor ganharam musculatura. O e-commerce já concentra entre 25% e 30% do total, enquanto o varejo físico (lojas próprias e franquias) responde por 20% da receita do grupo Morena Rosa.
“O que desenhamos foi uma transição natural para um modelo verdadeiramente multicanal”, afirmou o CEO do grupo Morena Rosa, Lucas Franzato, em entrevista exclusiva ao GBLjeans. E completou: “Acreditamos firmemente que o canal multimarca é um pilar de construção de imagem e capilaridade para o Grupo Morena Rosa. A nossa experiência mostra que, em cada município, um bom ponto de venda parceiro fortalece a presença da marca junto à consumidora local”.
A estratégia da companhia é ampliar todos os canais simultaneamente, garante Franzato, ressaltando que planeja fechar 2026 com crescimento de 10% no faturamento. Ele não declara o valor do faturamento de 2025, tampouco a expectativa para 2026.
NOVO MOMENTO DA IÓDICE
Conta que o avanço no varejo físico está em execução. Atualmente, o grupo opera uma rede formada por 50 franquias e 17 lojas próprias. Neste segundo semestre, a meta é abrir mais 3 operações próprias. Tem confirmadas inaugurações em Jundiaí (SP), Rio de Janeiro (RJ) e no Catarina Fashion Outlet (SP). Também atua no varejo físico com lojas específicas de Morena Rosa Beach, Morena Rosa Fitness, Morena Rosa Shoes e Morena Rosa Living. Pelo modelo de varejo Clube Morena Rosa, o grupo comercializa todas as marcas do portfólio que inclui Maria.Valentina, Zinco e Iódice.
Recentemente, a Morena Rosa recebeu dois prêmios. Foi considerada a marca com a melhor relação comercial com o canal de atacado e a melhor marca para se vender no varejo multimarcas, segundo a primeira edição do Best Brands to Sell, pesquisa nacional que ouviu 700 lojistas do Brasil, promovida pelo IEMI – Inteligência de Mercado.
A expansão planejada também passa pelo novo momento da Iódice, grife paulistana de luxo adquirida pelo grupo em 2019. Após o período de maturação e os impactos da pandemia, a holding iniciou os testes para o varejo direto da marca, com a abertura de uma loja própria no Shopping Barra, em Porto Alegre (RS). Conforme Franzato, a unidade funcionará como laboratório para expansão da marca.
No mercado internacional, a companhia distribui seus produtos em 12 países, tendo Portugal (com presença em 25 cidades) e o Paraguai (onde atua há quase 30 anos) como os principais destinos.
INVESTIMENTOS
Sediada em Cianorte (PR), um dos principais polos têxteis do país, a companhia de 33 anos colhe os frutos de uma estratégia financeira conservadora para bancar expansão com caixa próprio. Entre todas as marcas, produz cerca de 1 milhão de peças por ano em operação totalmente nacional.
De acordo com o CEO, nos últimos 24 meses, a empresa destinou aproximadamente R$5 milhões para modernização do parque industrial, instalado em Cianorte (PR), com aquisição de equipamentos, melhorias logísticas, desenvolvimento de softwares e fortalecimento dos canais digitais.
Conforme a empresa, indicadores como sell-out, giro de produtos e índices de encalhe são monitorados continuamente para orientar o desenvolvimento das coleções. As análises utilizam ferramentas de CRM, business intelligence e plataformas de gestão da produção, permitindo ajustes mais rápidos no portfólio e redução de desperdícios.
O grupo Morena Rosa fechou a janela para compra de empresas no biênio 2026/2027. Segundo o CEO, o apetite atual é zero para a incorporação de grifes independentes. “O grupo entende que o seu portfólio atual, somado às extensões de linha, já cobre com excelência todos os perfis de consumidoras e ocasiões de uso da mulher brasileira”, conclui o executivo.
Ele explica que o foco está no crescimento orgânico das marcas existentes. Embora a Morena Rosa continue sendo o carro-chefe em volume e share, outras bandeiras vêm mostrando forte tração. Nos últimos dois anos, a Maria.Valentina registrou um ritmo de crescimento considerado extraordinário pela gestão, enquanto 2026 aponta para uma evolução conjunta puxada por Zinco e Iódice.
foto: divulgação




