Projeto do Invest Minas e Sebrae-MG vai mapear gargalos dos APLs do estado começando pelo Circuito das Malhas

O Governo de Minas Gerais lançou o projeto Atração de Fornecedores para os Arranjos Produtivos Locais (APLs), elegendo o APL Vestuário Circuito das Malhas, no sul do estado, como o projeto-piloto da iniciativa. A meta é mapear gargalos e atrair indústrias de insumos — como fios, linhas, tinturarias e aviamentos — para perto das confecções mineiras, reduzindo os custos de frete e a forte dependência de fornecedores instalados em outros estados.
Composto por Jacutinga (município polo), Monte Sião, Borda da Mata, Ouro Fino, Inconfidentes e Albertina, o Circuito das Malhas atua com cerca de 3 mil empresas, de diferentes portes. Juntas sustentam produção que pode variar de 30 milhões a 40 milhões de peças por ano, entre tricô, malha e crochê. Não há números oficiais. O projeto está a cargo da equipe da agência de fomento Invest Minas, com apoio da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e do Sebrae-MG.
Conforme a Invest Minas, o projeto prevê o diagnóstico da cadeia produtiva, combinando dados já disponíveis com informações levantadas junto ao APL. Só com a conclusão desse mapeamento, a agência desenhará “agendas de prospecção e atração de fornecedores para o estado”. Não há prazo definido para conclusão do diagnóstico da cadeia produtiva do Circuito das Malhas, dos principais insumos utilizados pelas empresas da região, a identificação de gargalos e oportunidades de negócios para atrair investimentos capazes de atender às demandas do setor.
Ao todo, Minas Gerais conta com 15 APLs reconhecidos e ligados aos setores têxtil e de confecção, distribuídos por diferentes regiões do estado. O Circuito das Malhas funcionará como laboratório que pode melhorar a competitividade da moda mineira.
ESPECIALIZAÇÃO
Na avaliação da Invest Minas, a competitividade do polo sul-mineiro está menos relacionada ao volume de produção e mais à sua especialização. “Municípios como Monte Sião, reconhecido como a Capital Nacional do Tricô, Inconfidentes, reconhecido como a Capital Nacional do Crochê, e Jacutinga, reconhecido como a Capital Nacional das Malhas, são exemplos de uma especialização histórica que consolidou a região como um polo altamente vocacionado. Essa especialização confere ao polo uma identidade produtiva própria e um posicionamento diferenciado dentro da cadeia têxtil e de confecções do Brasil”, afirma em comunicado a Invest Minas.
Jacutinga e Monte Sião são as duas cidades responsáveis pela maior parte da produção do APL Vestuário Circuito das Malhas.
Jacutinga → tricô e malharia retilínea → ~1.100 empresas → de 18 milhões a 24 milhões de peças por ano. Fonte: reportagem do Sebrae-MG publicada em 2025.
Monte Sião → tricô → ~1mil a 1,5 mil empresas → 36 milhões de peças por ano. Fonte: reportagem do Sebrae-MG publicada em 2025.
Borda da Mata → pijamas, homewear, lingerie, enxovais de cama e mesa – ~200 empresas do setor têxtil (em 2019, conforme a prefeitura) → produção poderia variar em torno de 2,5 milhões de peças por ano
Ouro Fino → malhas e tricô, moda casa, moda íntima
Incofidentes → crochê, tecelagem manual, tapeçaria, colchas. A técnica de fazer crochê levou a cidade a ter o reconhecimento como Patrimônio Cultural do Estado de Minas Gerais.
Albertina → malhas e tricôs.
O Circuito das Malhas faz divisa com São Paulo, sendo que Jacutinga e Monte Sião estão a apenas cerca de 100 km de Campinas. Essa distância cai pela metade até a cidade de Socorro, principal polo de produção de tricô do estado de São Paulo.




