Vicunha aposta em novo modelo de sustentabilidade

O novo roteiro da empresa usa seis marcadores em ferramenta para prever os desejos e antecipar o comportamento do consumidor.

Diante da estratégia de alinhar as rotas da empresa com as tendências do consumo final, a Vicunha sistematizou os anseios e demandas da ponta da cadeia. Definiu um roteiro para trabalhar com seis marcadores de sustentabilidade. Cada um deles desdobra-se em uma série de tópicos, que reúnem medidas e ações já tomadas pela empresa. Conforme Marcel Imaizumi, diretor de operações da companhia, o próximo passo é criar uma ferramenta online, em plataforma aberta, dinâmica para acomodar todas as mudanças, e de transparência com o mercado.

O projeto está em desenvolvimento. A divisão em pilares ajuda a direcionar os esforços para seis áreas da sustentabilidade: Pessoas; Recursos; Mundo; Gestão; Cultura; e Inovação. As iniciativas de cada pilar serão conduzidas a partir das tendências do consumo identificadas na ponta e farão parte da agenda. “Essa pressão do consumidor vem em onda para trás. Ou a empresa espera para receber a onda, ou você já começa a pensar à frente, tenta imaginar o que é que vem e já tem as respostas para esses novos movimentos”, argumenta Imaizumi. Na visão dele, as ondas de demanda constituem fonte de turbulência. “Se você já tem movimentos pró-ativos ao consumidor, essas pressões chegam em um momento no qual as empresas estão mais preparadas com as respostas que precisam ser dadas, e isso promove saúde para o dia a dia da cadeia”, avalia.

Ao mostrar para a cadeia o que está fazendo, a Vicunha espera influenciar que outras empresas façam o mesmo. “O que eu posso fazer é declarar o que faço. Se as pessoas acharem que o que eu faço é bom, elas podem perguntar às outras – vocês fazem isso? Nós estamos dando munição à nossa equipe de vendas a declarar o que a Vicunha é, de forma supertransparente”, conclui o diretor.

OS MARCADORES DE SUSTENTABILIDADE DA EMPRESA

Cada um dos seis pilares tem seus próprios alicerces. O frame Pessoas compreende oito tópicos. Desses, a empresa tem projetos consolidados em Segurança do Trabalho, Bem Estar, Capacitação e Educação. A parte de Recursos contempla as iniciativas para melhorar a eficiência em aspectos como água, energia e matéria-prima. Na parte de água, ele destaca dois projetos. Um é o de Pegada Hídrica, que calculou o consumo de água por calça jeans. O outro é a parceria público-privada no Ceará que prevê a construção de uma estação de tratamento de efluentes industriais com finalidade de reúso. A obra inclui a instalação de dutos artificiais fechados com 20 quilômetros de extensão.

O pilar Mundo envolve aspectos ambientais, como gestão de resíduos e descarte, que requerem um guideline mais audacioso, explica Imaizumi, sem descartar a adesão formal aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), definidos pela ONU (Organização das Nações Unidas).

A coluna de Gestão está associada a ferramentas de padronização, rastreabilidade e lean manufacturing, além de relacionamento com o cliente (CRM). Cultura é o pilar que envolve o olhar regionalizado, não apenas dentro do Brasil, uma vez que a Vicunha tem plantas industriais na Argentina e no Equador, além de escritórios e centros de distribuição em outros países.

A Inovação implica tecnologia e pesquisa. Mas passa por consultoria, apoiar a economia circular, aproximação com a academia e o fomento de startups, destaca o diretor.

IMENSO GUARDA-CHUVA

Ele diz que a visão de sustentabilidade da Vicunha é quase despretensiosa. “É simplesmente desejar e fazer o bem. Das pessoas (todas), ao mundo, sob todos os aspectos”, complementa. Mas reconhece que a simplicidade do conceito tem aplicação complexa. Sob o guarda-chuva adotado, a empresa considera toda a cadeia. Compreende desde a matéria-prima ao consumidor final, passando por confecções, lavanderias e varejo.

Também tem em conta que selos e certificações desses diferentes elos devem servir de proteção ao consumidor. “E tudo isso tem que se conectar ao seu jeito de ser. De alinhar pessoas, valores, serviços, comportamento e produtos nesse jeito de ser sustentável, de fazer o bem, e pensar fora do caixa”, entende o executivo.