Plano pré-aprovado prevê corte de US$1,2 bilhão em dívidas e nova estrutura de capital para a empresa de fibras

Em movimento coordenado com credores, a The Lycra Company acionou o Capítulo 11 da lei de falências dos Estados Unidos, equivalente à recuperação judicial brasileira, para reestruturar dívida de longo prazo, calculada em US$1,2 bilhão. O processo inclui parte das operações internacionais do fabricante de fibras têxteis, entre as quais a subsidiária brasileira. Como se trata de um plano pré-aprovado, a expectativa é de rápida tramitação. A previsão da empresa é concluir a reestruturação em cerca de 45 dias.
De acordo com comunicado oficial, clientes, fornecedores e funcionários não devem sofrer impactos operacionais durante o processo. Isso porque a empresa garantiu pelo menos US$75 milhões em financiamento emergencial (debtor-in-possession), garantindo a continuidade das operações, pagamentos a fornecedores e salários. Também prevê mais US$75 milhões para a fase de saída da recuperação.
O CEO da The Lycra, Gary Smith afirmou por comunicado que o pedido de recuperação judicial representa um “passo decisivo para fortalecer o alicerce financeiro” e que o atendimento aos clientes não sofrerá interrupções. A reestruturação é vista pelo mercado como um movimento técnico para sanear o balanço da empresa dona de marcas de alto valor de mercado como Lycra, Coolmax e Thermolite.
MUDANÇAS DE CONTROLE
A atual reestruturação representa mais um capítulo de uma trajetória de mudanças de controle e dificuldades financeiras. A atual The Lycra Company tem origem nos Estados Unidos, onde se consolidou como referência global no desenvolvimento e produção de fibras sintéticas — especialmente o elastano, popularizado sob a marca Lycra. Pertencia, então, à DuPont.
No início dos anos 2000, a divisão foi vendida para a Koch Industries que criou a Invista. Até que em 2019, a chinesa Shandong Ruyi Investment Holding adquiriu o negócio de vestuário e têxteis avançados da Invista, formando uma nova empresa independente chamada The Lycra Company.
Três anos depois, em 2022, a Shandong Ruyi perdeu o controle da empresa ao não honrar compromissos financeiros assumidos no processo de aquisição. O controle passou para seus credores, incluindo China Everbright, Tor Investment Management e Lindeman Partners.
A empresa enfrentou dificuldades devido à queda de demanda, concorrência de produtos de menor preço, tarifas dos Estados Unidos e disputas com o ex-proprietário chinês.
No Brasil, a The Lycra Company mantém escritório principal na cidade de São Paulo e uma planta industrial em Paulínia, interior paulista.


