Empresa projeta ainda pressão sobre margens, reajustes abaixo da inflação e ganhos graduais de eficiência

A Santista Têxtil inicia 2026 com expectativa de leve crescimento em volume, mas ainda operando sob pressão de margens, em um cenário marcado por custos elevados. Acompanhando movimento da indústria, a companhia anunciará reajustes nos preços dos tecidos. Entretanto, os aumentos ficarão abaixo da inflação, em função do mercado ainda sensível, que resiste a reajustes mais agressivos, explica Newton Coelho, diretor da empresa.
Ao longo de 2025, a indústria têxtil de modo geral enfrentou aumentos relevantes em insumos — como fibras sintéticas, algodão, energia elétrica e frete — sem conseguir repassar integralmente esses custos ao mercado. O cenário já desafiador se agravou em 2026 com a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, declarada ao final de fevereiro, com alta de petróleo e muita incerteza sobre os efeitos na economia.
Além disso, 2026 terá a Copa do Mundo de futebol e eleições para presidente, governador e parlamento. Conforme o diretor, a Santista Têxtil espera uma pequena melhora nos volumes em 2026, que será impulsionada pelos investimentos realizados e pelos novos produtos, e não por um crescimento orgânico do mercado.
É uma estratégia conservadora, baseada em crescimento gradual e continuidade dos investimentos dentro do que seja financeiramente viável, conta o executivo. Parte relevante desses aportes foi direcionada à modernização industrial, com foco em eficiência operacional. Embora os novos equipamentos já estejam instalados e em funcionamento, uma nova etapa de entregas está prevista para o segundo semestre, favorecendo os ganhos de produtividade de forma progressiva, diz o executivo.
O plano de longo prazo da empresa está definido e não foi alterado, assegura o diretor.
LANÇAMENTOS
Coelho comenta que os lançamentos da coleção de inverno 2027 representam mais um ajuste de linha, que priorizou tingimentos, dos azuis mais puros à exclusiva tonalidade Galaxy, um blue black profundo. A empresa também continuará a investir no aumento das larguras dos tecidos, uma vez que um número cada vez maior de marcas têm substituído as mesas de corte tradicionais por modelos mais largos.
Entre a novidades anunciadas, a Santista atualizou artigos já consagrados em venda, como o Soft 11oz e o Solaris, agora apresentados na cor Galaxy. Também passaram por reengenharia best-sellers como Norah Plus, Norah Light Blue Plus e Joker Plus, que chegam ao mercado com larguras ampliadas.
Outro destaque é o denim índigo blue Vibe, que combina 99% de algodão a 1% de elastano em base com 1,80 metro de largura, uma das maiores do mercado.
Para a coleção do inverno 2027, a Santista promoveu colaborações com estilistas e marcas como Tom Martins, Diss Denim, Miguel Santos, Carlos Castro, Jorge Feitosa, Pedro Lacerda e Another Place.
ANTI-HOMOGENEIZAÇÃO
Em palestra na semana de lançamentos, Sueli Pereira, head de comunicação e moda da Santista abriu o evento defendendo a ideia de que “valor se constrói em camadas”. A empresa alerta que está em curso o achatamento cultural com a perda de diversidade. Isso porque “todo mundo consome as mesmas referências, reage aos mesmos sinais, usa os mesmos códigos (que chamamos de tendências)”. Por essa visão, o estilo global estaria se sobrepondo a identidades locais, levando a homogeneidade estética. Para discutir novos caminhos, Sueli conduziu uma conversa com uma especialista em slow marketing, Ana Paula Fragoso, e a consultora Maria Beatriz Gonçalves, que trabalha com estudos de futuros atuando na Alaf (Associação Latina de Futuros), que visa valorizar a cultura e as diversas identidades da América Latina.
foto: divulgação



