A safra nacional de 2006/07 da fibra convencional depois de beneficiada alcançou 1,5 milhão de toneladas
Na moda orgânica, a plantação de algodão sem sementes transgênicas, em solos livres de agrotóxicos convencionais há, pelo menos, três anos, tem monopolizado as discussões em torno do assunto. Citando dados da Organic Exchange, instituição norte-americana, estudo da professora Maria Célia Martins de Souza, do IEA (Instituto de Economia Agrícola), estima que a safra mundial de 2004/05 produziu pouco mais de 25 mil toneladas em 22 países. O trabalho informa que a Turquia, a Índia, os Estados Unidos e a China seriam responsáveis por quase 80% dessa produção. A América do Sul responderia por 1,7% desse total (425 toneladas), sendo que a maior parte está concentrada no Peru e no Paraguai.
No Brasil, a despeito de projetos de produtores independentes que começam a aparecer, a maior parte da produção está em mãos de pequenos agricultores que, reunidos em projetos regionais, começam a desenhar a viabilidade de suas plantações. As iniciativas mais conhecidas estão no Ceará, na Paraíba, em Pernambuco, no Rio Grande do Norte e no Paraná.
Produção
nacional
O estudo da pesquisadora indica que a produção brasileira de 2006 teria totalizado 55,6 toneladas de algodão orgânico em rama, volume que corresponde a cerca de 20 toneladas da fibra em pluma (depois da operação de beneficiamento). O algodão branco representa a maior parte do que é produzido no país, mas o nordeste, especialmente a Paraíba, conta com áreas de fibra colorida.
O projeto de algodão orgânico no semi-árido da Paraíba, por exemplo, começou em 2005 com 18 agricultores, com produção experimental. “Em 2006, o grupo vendeu a produção de 5 toneladas para a YD, de São Paulo”, conta Melchior Batista, pesquisador da Embrapa Algodão, que apóia a iniciativa. Segundo ele, em 2007, o grupo reúne 53 agricultores que produziram 30 toneladas.
Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safra brasileira de algodão convencional de 2006/07 foi de 2,3 milhões de toneladas (em caroço) e na de 2007/08, 2,5 milhões de toneladas, representando aumento de 5,6%.
Produção natural
Geralmente, o algodão orgânico é produzido em pequenas propriedades, sem que sejam aplicados agrotóxico convencionais (inseticidas, fungicidas, pesticidas), nem fertilizantes de alta solubilidade, explica Melchior Batista, da Embrapa Algodão. Os agricultores são estimulados a usar adubos orgânicos, feitos com insumos encontrados na própria área. Outras técnicas prevêem o plantio em épocas diferentes das tradicionais para evitar a ocorrências de pragas comuns; o espaçamento entre as mudas é maior; e na Paraíba, os agricultores intercalam o algodão com outras culturas como girassol, gergelim, amendoim e coentro, que além de servirem de receita adicional, também ajudam no combate às pragas, como a descoberta da propriedade repelente do coentro.
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